Vós

menu
Sou do Ceará

11 coisas que só quem é de Canindé já fez

Por Eva Sullivan, Natan Marreiro
10.abr
2017

Ah, Canindé… Quem vem a ti jamais esquece. Manoel Messias e Jota Ratinho sabiam bem desse sentimento ao compor seu hino. A cidade localizada em pleno sertão cearense abriga o segundo maior Santuário Franciscano do mundo. Além disso, é uma cidade de costumes e tradições que permanecem vivos nos dias atuais. Se você é de Canindé, certamente já fez uma dessas coisas:

1 – Torceu pra chegar o mês de maio

“No mês de maio Canindé é Marianoooooo”. Se é de Canindé, aposto que leu cantando! Nossa Senhora é tão amada por essas bandas que, em maio, a cidade fica azul e branco; as ruas, escolas e casas ficam decoradas para receber a imagem de Maria. Dia 30 é realizada a Coroação de Nossa Senhora, uma das mais lindas, sem dúvidas. E “a carreata é a nossa despedida, todo o povo vai cantando em oração e quem espera, em suas ruas enfeitadas, fica pedindo a vossa intercessão”. Cantou de novo, né?

2 – Tirou foto quando criança “nos cavalinhos” em frente à Basílica

Dificilmente encontramos alguém que não tenha em casa uma foto com os cavalinhos e bois posicionados em frente à Basílica de São Francisco, onde os fotógrafos ambulantes montam os pequenos estúdios a céu aberto, com painéis pintados à mão e bonecos simulando cavalos e bois empalhados. Se você veio à cidade e não tirou a famosa foto, volta porque a viagem ficou incompleta.

3 – Passou a noite acordado (a) “recepcionando” os romeiros que chegavam para o levantamento da bandeira (abertura da Festa de São Francisco)

Ainda falando em Festa de São Francisco, não tem ninguém que não tenha esperado as romarias no dia 24 de setembro para iniciar os festejos. Mas, pera lá, não era só esperar! Era fazer café, chá e um sopão para oferecer aos tantos romeiros que chegavam, geralmente vindos das comunidades rurais.

4 – Renovou o guarda-roupas nas “barracas” durante a Festa de São Francisco

Festa de São Francisco é um tempo forte de oração, mas também é o tempo em que nossas mães renovavam nosso guarda-roupas comprando nas barraquinhas que tomavam conta das ruas de Canindé. Eram lençóis, redes, “brusinhas”, “a roupa do último dia de festa”; tudo por um precinho, ó, que cabia no bolso.

5 – “Ganhou a festa”

Quem nunca esperou os pais chegarem das comprinhas porque sabia que ia ganhar a festa, né? Essa expressão significa ganhar um presente comprado nas barracas. Geralmente, uma novidade que você não encontra facilmente no comércio local, ou com preços bem menores, principalmente se fosse comprar no dia de “queima”.

6 – Vendeu alguma coisa durante a Festa de São Francisco

Canindeense é muito empreendedor também. Se você não teve metade ou toda a casa alugada para os romeiros, sua mãe com certeza vendeu bolo, tapioca, cafezinho, água em casa. Algumas pessoas, até banho vendem. Sem contar que, no tempo de festa, a cada metro, tem alguém vendendo fitinhas, lembranças de São Francisco e imagens de santos.

7 – Usou chapéu e tentou pegar a bandeira no “arriamento” (encerramento da Festa de São Francisco)

Bateu até uma saudade! Quem é de Canindé sabe que as mesmas lembranças se repetem e se renovam a cada Festa de São Francisco. É na tradicional benção dos chapéus que a gente se despede dos festejos e luta por espaço onde uma multidão se comprime para tocar na bandeira de São Francisco.

8 – Já recorreu à medicina alternativa/popular de Dona Odete Uchoa

Dona Odete Uchoa é Mestra da Cultura Tradicional Popular. Tem vasto conhecimento sobre plantas/ervas medicinais;  medicamentos alternativos aos habituais remédios de “farmácia”. É raro o canindeense que não tenha batido em sua porta à procura de algum meio terapêutico natural.

9 – Fez pesquisa para o colégio na Biblioteca Cruz Filho

Duvidamos você, filho de Canindé, nunca ter passado boas horas à procura de um livro na Biblioteca Cruz Filho. Inclusive, gostaríamos de ressaltar que Cruz Filho foi um poeta parnasiano canindeense, considerado o “príncipe dos poetas cearenses”.

10 – Conhece todos os mestres da cultura popular e tradicional em Canindé

Basta perguntar que qualquer pessoa sabe quem são os mestres da cultura, Dona Dina, Getúlio Colares, Mestre Bibi… A cidade não só sabe como reconhece a importância de cada um em sua história.

11 – Saiu pra comprar alguma coisa na Casa do Marreiro e voltou de lá com um cordel do Seu Natan

A Casa Marreiro é um comércio com 80 anos de tradição localizado no “Mercado Velho”, e também um dos pontos turísticos do município devido às curiosidades ali encontradas. Além de vender os mais diversos artigos para o sertanejo, a loja expõe objetos bem exóticos, como bainha pra foice e suspensório pra cobra. “Seu Natan”, o atual responsável pelo comércio, sempre recepciona seus clientes com poesia e uma boa história sobre a origem de seus produtos, o que fez com que a loja se tornasse um ponto de encontro de poetas, repentistas, intelectuais.

Colaboradores

Eva Sullivan

Eva Sullivan

Ver Perfil

Eva Sullivan é radialista, jornalista em formação, ilustradora nas horas vagas e uma eterna otimista que acredita no lado bom das pessoas.

Natan Marreiro

Natan Marreiro

Ver Perfil

Nascido em Canindé, Natan Marreiro é poeta, artista plástico e tem grande paixão pela pesquisa em Cultura Popular e Tradicional.

Comentários

Quer conhecer mais histórias como esta?


Cadastre seu email abaixo para receber matérias, novidades, eventos, e outras informações na sua caixa de email.

fechar