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Histórias

A casa que nos habita

Com Juliana Azevedo Por Marcela Benevides, Igor de Melo
01.fev
2019

Ao longo de 12 anos ela trabalhou com muitas marcas e empresas e habitou diversas casas: como designer, precisava extrair o DNA de cada empreendimento para desenvolver melhor as suas criações. Depois decidiu que era hora de fazer morada dentro de si para se encontrar mais profundamente como artista, então criou o próprio ateliê – a casa que nos habita – e lá ela cria e expõe o que está impresso no seu DNA.  

Foi a mãe de Juliana Azevedo quem começou a despertar nela o encantamento pela arte. A primeira e maior influência foi a materna, foi quem a ensinou a mexer com tintas e misturar as cores. Optou por fazer moda na faculdade, já que em Fortaleza ainda não havia o curso de Belas Artes. Durante os quatro anos da graduação, Juliana fez uma imersão como artista e teve contato mais profundo com o desenho, com a arte e com a moda. Foi nesse processo que descobriu que não queria ser estilista, mas artista.

Dentre as possibilidades, foi na estamparia que se encontrou como artista. “Na faculdade eu era muito atuante e pintava sofá e fazia estamparia para lojas aqui de Fortaleza. E eu falava que trabalhava com estamparia, pintava seda à mão, e nesse sentido eu fui muito autodidata e aprendia através de livros, para começar a praticar essa técnica.” Para ela, a estamparia foi sua “válvula de escape” dentro do mercado de moda. “Lá no ateliê eu sou uma artista, onde eu ilustro e sou designer. Hoje eu trabalho para a moda e  lanço minhas coleções de estampa.”

O processo criativo de Juliana começa a partir das pesquisas, analisando as marcas e as tendências e as possíveis correntes que poderão se tornar moda. Se permite olhar e extrair de filmes e músicas referências para o seu trabalho, observa todo o movimento, mas não se aprofunda nas temáticas na maior parte do tempo. É por meio da experimentação que as estampas vão surgindo. “Quase todos os dias eu estou pintando e desenhando. A partir da experimentação, às vezes surge uma coleção nova e outras vezes não, ela é realmente bem direcionada dentro de uma temática, vai muito do movimento que eu estou no ateliê. Me permito mergulhar no processo criativo da temática ou do acaso.”

A artista foi uma das sete convidadas a participar do Jegue Parêidi. Para ela, uma intervenção artística como essa é importante pois o “lúdico é sempre bem vindo no universo infantil”. “Eu sei disso porque tenho um filho de cinco anos de idade e vivo com isso diariamente, e a curiosidade da criança é muito interessante. As crianças do Lar de Clara não sabiam exatamente o que iria acontecer, mas estavam absolutamente abertos para experimentar.”

Durante o evento, Juliana sugeriu que as crianças escolhessem uma temática para trabalhar ou eles poderiam escolher ser livres para criar da forma que achassem melhor. “Eles preferiram, por unanimidade, ser livres para criar o que quisessem, obviamente. O que tem muito a ver com o processo que eu faço, que é o de experimentação.”

A troca de experiências das crianças com a artista proporcionou uma experimentação de técnicas “mais avançadas” em poucas horas de atividade. “Eles chegaram a um nível de refinamento onde eles estavam misturando cores. As crianças chegavam e falavam “tia, eu misturei o azul com o vermelho e deu roxo e se eu misturar o amarelo com o verde ou azul o que dá?”, então, em um tempo muito curto, eles avançaram demais.”

Juliana defende que esse contato com outras possibilidades de criação, principalmente quando criança, é necessário porque é por meio da arte que as pessoas mais conseguem expressar como se sentem. “A arte ameniza muitas dores, ela é um canal onde você se cura.”

Colaboradores

Marcela Benevides

Marcela Benevides

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Ler e escrever são as duas coisas que mais a definem. Gosta de contar histórias sobre pessoas e lugares que inspiram a felicidade e a percepção de que a vida vai além das bolhas em que vivemos, e é na cidade que encontra a sua inspiração. Acredita que o jornalismo é um dos meios para promover a união entre culturas. Importante destacar: tem o sol em leão.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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