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Inovar para Crescer

A luz que ilumina a ideia sustentável

Com Rafael Studart Por Jonathan Silva, Igor de Melo, Gabriel Lage

Acredita em Vós

23.dez
2019

Era 2012 quando os moradores de Milhã, no interior do Ceará, enfrentaram a pior seca dos últimos 50 anos. Conhecida como “a terra do leite” (pelo seu destaque na pecuária leiteira), o solo árido e rachado mostrava uma face nada esperançosa para parte dos quase 15 mil habitantes da região. Em Fortaleza, a 301 quilômetros de distância, o publicitário Rafael Studart tinha uma ideia de ação sustentável que mudaria tanto a vida dos moradores de Milhã como a dele própria.

Rafael, que até aquele momento atuava como diretor de arte em agências de publicidade, desenvolveu o projeto Vida na Seca. Pensando numa medida urgente, a iniciativa buscava recursos através da venda de camisetas temáticas, auxiliada por uma campanha nas redes sociais. “Foi uma ajuda emergencial para a região. Nós conseguimos vender 500 peças que foram revertidas em 16 mil litros de água potável e três toneladas de alimentos.”

Após o sucesso da campanha, o projeto foi transformado. Em 2014, dois anos após o Vida na Seca, Rafael pensou numa forma de alinhar as causas sociais com orientação sustentável, algo que partia do ambiente do interior cearense para atingir todo o país com ecologia. Assim surgia, como empresa definitiva, o Vida BR.

O principal produto da marca ainda são camisetas com estampas temáticas em venda atacadista, mas há um diferencial de mercado. “Depois dessa campanha, eu passei dois anos pesquisando sobre tecnologia e inovação, com reciclagem, pra chegar em 2014 lançando a coleção Fotossíntese.”

As blusas têm estampas que reagem à luz solar, daí o nome da coleção. “Quando bate o sol na camiseta as cores aparecem. Por exemplo: uma árvore com os galhos todos secos, no sol, fica cheia de folhas e flores.” Da etiqueta à embalagem, tudo é fabricado de forma ecológica.

As etiquetas das camisetas são feitas de papel semente, que pode ser cultivado. A embalagem, que também serve como cabide, é feita com um rolo de papelão. O vestuário combina 50% algodão e 50% de fibra extraída de garrafas pet. “Para cada camiseta nós retiramos duas garrafas pet do meio ambiente”, explica Rafael.

A inovação na marca também é uma mudança na postura profissional de Rafael. Antes, seus conhecimentos sobre sustentabilidade no mercado não eram comparáveis ao que tem hoje. “Em 2012 mal se falava em sustentabilidade e era uma palavra pouco conhecida. Hoje em dia, em qualquer classe que você fale sobre sustentabilidade, vão saber.” Instigado em mudar de rumo, Rafael estava em busca de “algo que gostasse, claro, fazendo o bem e também com um retorno financeiro pelo trabalho que a gente desenvolve.”

O Vida BR conta com quatro funcionários fixos, sendo Rafael o diretor chefe, mas também há outras entidades e empresas envolvidas com a marca numa relação mútua de apoio. A Comunidade Terapêutica Projeto Resgate, localizada no Eusébio e que trabalha com dependentes químicos, é responsável pelas etiquetas feitas com papel semente. O Grupo de Interesse Ambiental (GIA) auxilia com o trabalho de costureiras de comunidades de Fortaleza e detentas. A tecelagem é feita por duas empresas em Santa Catarina.

De 2014 para cá, Rafael teve também a oportunidade de unir seu trabalho com iniciativas similares de outras instituições, como o Instituto da Primeira Infância (Iprede). Ele também levou a marca para eventos ligados ao desenvolvimento sustentável regionais e nacionais.

O site da empresa destaca ainda o apoio de pessoas famosas que já “vestiam a camisa” desde a época do Vida na Seca. “Teve uma grande repercussão, principalmente pelo apoio do Bráulio Bessa e da Lucinha Lins.”, além de registros de celebridades como Fátima Bernardes, Gabriel o Pensador, Augusto Cury e Tião Santos, personagem do documentário Lixo Extraordinário.

Sobre a logo do Vida BR, o empresário explica que o “pássaro simboliza a solidariedade; a folha, a sustentabilidade. Poucas pessoas sabem, mas o pássaro é minha mãe, que é muito ligada a projetos sociais, e a folha é meu pai, que é ligado a projetos ambientais.” O filho, fruto dessa união, hoje faz com que outras pessoas despertem um novo pensamento e uma nova postura sobre o meio ambiente, tal como suas camisas fazem à luz do sol.

Colaboradores

Jonathan Silva

Jonathan Silva

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Garoto diferentão do Bom Jardim, entrou no Jornalismo com a intenção de escrever sobre música, uma paixão herdada da mãe. Hoje usa essa ferramenta para escrever sobre o cotidiano, a cidade, pessoas especiais, artes, fatos marcantes e a luta nossa de cada dia pela dignidade. Se não fosse jornalista, com certeza seria um astro insano do rock.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

Gabriel Lage

Gabriel Lage

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Cearense, empresário, filmmaker e fotógrafo. Acadêmico de audiovisual pela Unifor. Fã de Star Wars e dos anos 80.

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