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Histórias

O que ainda te impede de andar a pé pela cidade?

Com Lindemberg Ferreira e Thaís Veloso Por Felipe Gomes, Igor de Melo
18.abr
2017

Vós percebeu um movimento diferente. Seja pra ir à padaria, pra pegar o ônibus menos lotado ou até mesmo pra ir do trabalho pra casa, tem gente “batendo perna” na cidade

Primeiro, foi o sol forte que bate por essas bandas. Depois vieram as notícias de uma cidade demasiadamente violenta. Mais tarde, tudo ficou longe que só e caminhar virou coisa pra se fazer apenas como prática esportiva. O fato é que, sem perceber, deixamos de contemplar as terras alencarinas daquela forma mais simples: no passo a passo.

O medo da bicicleta e o estigma periférico de outrora que recaía sobre seu uso como meio de transporte já foram, em grande parte, superados. E agora, ao que parece, Fortaleza caminha – literalmente – para a quebra de mais uma nova barreira. Afinal, um também comprovado remédio contra a violência é uma cidade com ruas ocupadas, no sentido mais amplo da expressão.

Mas o que faria uma pessoa percorrer distâncias consideráveis indo, por exemplo, do trabalho pra casa a pé? Os motivos podem ser os mais variados. A impaciência com o coletivo, que demora, e a economia no dinheiro da passagem, o trânsito dos fins de tarde, a falta de uma bike na estação e por aí vai.

Todos esses e mais alguns outros motivos fizeram com que o estudante de publicidade e propaganda Lindemberg Ferreira voltasse a botar o pé na rua. Há pouco mais de um mês, ele decidiu dispensar um meio de transporte pra ir da empresa em que estagia, no começo da Padre Valdevino, até sua casa, na Av. 13 de Maio – já pertinho da Pontes Vieira.

Natural de Pacajus, Lindemberg lembra que os trajetos a pé não são novidade. “Como a minha cidade é pequena e a oferta de transporte público não é tão grande, acaba que a gente tem que ir pra muitos lugares andando mesmo. Quando cheguei aqui, não fazia isso com tanta frequência porque não conhecia os caminhos da cidade. Foi justamente andando que comecei a conhecer mais Fortaleza”.

Com os amigos, assume, acaba se sentindo um pouco estranho. Nos pré-carnavais do começo do ano, foi onipresente, dispensando o uso de ônibus, táxi ou carros de aplicativo para ir de um ponto a outro. “Não fui em mais porque a galera que tava comigo não se sentia segura pra ir também”.

Assim como Lindemberg, a jovem Thaís Veloso também tenta convencer mais amigos para suas caminhadas contemplativas pela cidade. A estudante que mora no Jardim América começou indo ao banco fazer alguns pagamentos para a avó. Gostou. E depois se desafiou a conhecer o Centro. Descobriu o Museu do Ceará no meio do caminho e se apaixonou.

Dando um passo de cada vez, pegou gosto pela coisa. Se perdeu, arrodeou, fez o caminho mais longo. A pé, já foi de casa para o Poço da Draga, na Orla de Fortaleza. Alguém duvida que na próxima ela vai mais longe?

Seja por necessidade ou por prazer, as calçadas parecem cada vez mais lotadas. O tênis esportivo já é um item do dia a dia. Como diz Thaís, passa um protetor solar, escolhe um horário tranquilo, lembra que assaltos acontecem em carros também e vem. E afinal, o que é mesmo que ainda te impede de andar a pé pela cidade?

Colaboradores

Felipe Gomes

Felipe Gomes

Ver Perfil

Soube desde de cedo que iria ser jornalista. Ainda é quase. Com as histórias de uma Fortaleza de outros tempos, contadas pela bisavó, aprendeu a ouvir. Entrou na faculdade para falar de coisas. Vai sair querendo falar de pessoas. Valoriza o olho no olho, admira o cinema francês e adora música.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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