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Histórias

A pipa e um encontro de infâncias

Por Felipe Gomes, Igor de Melo

Acredita em Vós

17.out
2017

Primeiro você segura a linha e a pipa. Na sequência, deve ir se afastando na direção contrária ao vento. Depois, é hora de soltar. O resto é a graça de ir regulando a linha pra voar mais alto ou mais baixo.

O passo a passo detalhado acima é o essencial para se divertir empinando pipa – ou arraia, como é mais conhecida por aqui. A brincadeira tem um poder nostálgico, principalmente nos bairros mais centrais da cidade, já que na periferia ainda é uma brincadeira muito comum, e nos faz lembrar dos tempos em que tínhamos menos carros e mais vida nas ruas. Tempo em que a calçada de casa era playground e em que o real era mais divertido que o virtual.

As brincadeiras de rua, como a pipa, são sinal de um tipo de infância que quase não se vê mais. E há de se registrar que os avanços tecnológicos são importantes e, hoje, igualmente fundamentais para o desenvolvimento dos pequenos. Mas entre a pipa e o tablet, será que não seria melhor aproveitar o melhor de cada um?

O odontólogo Eribaldo Júnior acredita que é justamente essa junção que fará o filho Mateus, de 6 anos, se desenvolver melhor. “Eu fui muito de soltar arraia, pião, jogar bila… Hoje o que a gente vê é que a coisa tá muito tecnológica e momentos como este são muito bacanas” O momento em questão é a edição 2017 da Revoada de Pipas do Shopping Iguatemi Fortaleza.

Realizada no dia 12 de outubro, Dia das Crianças, a Revoada, como define Eribaldo, tem o poder de promover um link entre a infância dele e a do filho. “É muito legal poder ensinar algo que você aprendeu para o seu filho. É um momento de interação ímpar”, explica o pai que nos primeiros momentos teve de lidar com a desconfiança do pequeno até que ele se entregasse à diversão.

Tony Magalhães é o pai do Diego e do Hugo e viu no evento a chance de promover esse encontro de infâncias. A revoada trouxe imediatamente os tempos de criança de volta, além de promover este tipo de brincadeira em uma área da cidade inesperada para isso. “Como sempre morei nesta área aqui da cidade, era mais difícil conseguir soltar pipa, mas sempre que ia pro interior brincava com os meus primos.”

E pra quem acha que essa interação na hora de empinar pipa é exclusividade de pais e filhos, Jorgianne Meneses, mãe da Laura e da Luisa, é a prova feminina que não. “A gente vinha chegando, e elas já ficaram todas animadas vendo as pipas.” E não era para menos! Durante o evento mais de 500 pipas foram distribuídas para colorir o céu e aproximar gerações.

Colaboradores

Felipe Gomes

Felipe Gomes

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Soube desde de cedo que iria ser jornalista. Ainda é quase. Com as histórias de uma Fortaleza de outros tempos, contadas pela bisavó, aprendeu a ouvir. Entrou na faculdade para falar de coisas. Vai sair querendo falar de pessoas. Valoriza o olho no olho, admira o cinema francês e adora música.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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