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Histórias

A solidão do sertão numa explosão de cor

Com Eduardo Odécio Por Marcela Benevides, Igor de Melo
30.abr
2019

Apesar de ter nascido em solo fortalezense, passou a primeira infância a 217 km de distância da capital. Cresceu em uma fazenda de grandes espaços, no sertão de Quixeramobim, em Boa Viagem. Eduardo Odécio acredita que a solidão da vida no interior teve influência na sua inclinação artística. Ele sempre gostou de desenhar e considera que foi, apesar de introspectivo, uma criança “muito sonhadora.”

Formou-se em Direito, mas sempre trabalhou como publicitário. Na época em que trabalhava com criação e direção de arte, os processos eram mais artesanais e os layouts eram basicamente feitos à mão. “Você precisava ser quase um pintor. Primeiro tinha que reproduzir para fotografar depois, então essa minha habilidade me levou ao primeiro emprego e de certa forma eu não deixava de exercer meu lado artístico na criação, mesmo sendo uma criação mais comercial.”

Mesmo trabalhando na área de criação, Eduardo acredita que o “artista puro” foi ficando “amordaçado” com a correria da primeira profissão, que tinha prioridade na sua vida. Por querer aprofundar mais o seu lado artístico menos voltado ao comercial, decidiu que estava na hora de colocar o pintor na frente do publicitário. “A empresa já está na segunda geração, minha filha está na direção e eu ainda trabalho, mas agora eu deixei a pintura ocupar o primeiro plano da minha vida.”

Na pintura, ele utiliza técnicas de ampliação dos próprios desenhos. “Faço um desenho mais completo e em determinado momento eu capturo um ponto do desenho, alguma coisa que eu acho mais interessante e eu amplio esse detalhe e retrabalho estudando as possibilidades pictóricas de onde vai esse desenho.”

A inspiração para desenvolver esse tipo de trabalho veio do filme Blow Up, do diretor Michelangelo Antonioni, que conta a história de um fotógrafo que faz ampliação das próprias fotos e nesse processo ele descobre que talvez tenha registrado um assassinato por trás de uma fotografia aparentemente banal, de um casal no parque. Foi a partir dessa referência que Eduardo produziu a exposição de nome homônimo ao filme.

A Blow Up é sua exposição mais recente e teve quadros inspirados não só na estética do filme, mas na técnica abstrata pós-impressionista. “Uma técnica parecida com o cloisonnism de Paul Gauguin, que tem áreas de cor cercada de traços. Eu utilizo esse recurso, meus trabalhos são muito saturados de cor e uma certa predominância pelo rosa, tanto é que a decoração da exposição é puxada para o rosa em contraponto com o cinza.”

O processo de criação de Eduardo é dinâmico e expressa o que ele está sentindo no momento de concepção da obra. “Às vezes nasce de um estudo, de um desenho, às vezes junto vários desenhos que foram feitos em momentos diferentes… Tem épocas que uso mais cores sombrias, mais fechada; em outras mais alegres e soltas, então varia muito do estado de espírito e acho que a beleza da arte é perceber o estado de espírito do artista e como ele passa isso pra tela.”

Colaboradores

Marcela Benevides

Marcela Benevides

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Ler e escrever são as duas coisas que mais a definem. Gosta de contar histórias sobre pessoas e lugares que inspiram a felicidade e a percepção de que a vida vai além das bolhas em que vivemos, e é na cidade que encontra a sua inspiração. Acredita que o jornalismo é um dos meios para promover a união entre culturas. Importante destacar: tem o sol em leão.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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