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Plural

Autismo: abraçar e aceitar todas as diferenças

Com Júlia Pinto Por Leilane Freitas, Igor de Melo
20.out
2018

Para algumas pessoas falar ou pensar na palavra autismo já é motivo para uma expressão de tensão e preocupação. O transtorno que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), atinge cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, ainda é visto como um tabu e como uma característica para exclusão dessas pessoas de atividades sociais como, por exemplo, a escola.

Júlia Pinto tem 15 anos de idade e foi diagnosticada dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) há cerca de um ano. O seu desenvolvimento foi dentro do esperado para crianças neuro típicas. Começou a andar e falar dentro do que se estabelece os padrões de saúde. Por isso a dificuldade em encontrar um diagnóstico, mas isso não quer dizer que Júlia não tenha enfrentado obstáculos ao longo da vida. “Eu sempre tive dificuldade em me relacionar com meus pares cronológicos, que são as pessoas que têm a mesma idade que eu, com seis/ sete anos eu sofri bullying. Nunca consegui me relacionar direito com pessoas da minha idade porque a minha comunicação é mais eficiente com pessoas mais velhas do que eu.”

Aos 13 anos, Júlia começou a enfrentar algumas crises de depressão, raiva e ansiedade. O que atrapalhou o seu rendimento na escola. “O meu diagnóstico foi difícil porque aprendi a inviabilizar o meu autismo, principalmente por eu ser menina. Nesses últimos anos desde que comecei a ter essas crises e até conseguir o diagnóstico, foi um período muito desgastante para mim e para minha família. Eu sou muito firme quanto aos meus direitos e pelo fato de eu questionar isso, as pessoas acham que eu procuro privilégios, mas não é isso. São coisas que são necessárias para o meu aprendizado.”

Uma das características que acompanham pessoas diagnosticadas no espectro autista é o hiperfoco. “A maioria dos autistas só tem um tipo ao longo da vida, mas eu já tive vários e consigo ter mais de um ao mesmo tempo”. A arte, por exemplo, é uma uma das habilidades da Júlia e uma das maneiras que encontrou para expressar seus sentimentos. No instagram (@minhaformadeser), ela mantém uma conta com alguns dos seus desenhos e registros fotográficos, outra de suas paixões.

“Pra mim, ser autista é se enquadrar em um grupo de características que me faz ser diferente da maioria das pessoas. Sim eu sou diferente e acho que as pessoas precisam entender que ser diferente não é um problema, eu abraçar isso não é um problema e eu ser autista não é um problema e nem uma doença. É só uma característica que me coloca dentro da Cultura Autista”.

Júlia vai estar no último dia de Plural na 20 ª CASACOR Ceará que acontece neste domingo, 21. A estudante e artista vai conversar com a plateia presente sobre suas experiências e o que espera para uma Fortaleza mais plural e menos desigual.

Colaboradores

Leilane Freitas

Leilane Freitas

Ver Perfil

Já se aventurou pelo mundo do teatro e da dança. Escrevia no jornal da escola mas ainda não sabia que escolheria isso como profissão. Acredita no jornalismo como uma maneira de mostrar o lado positivo dos pequenos detalhes da vida. Decidiu escrever porque, aparentemente, falar sozinha não parece ser coisa de gente em sã consciência.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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