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[Tem que conhecer] - O olhar coletivo de Bia Fiuza

Com Bia Fiuza Por Leilane Freitas, Igor de Melo
11.abr
2018

 Jovem e filha do Ceará, tem como propósito de vida ajudar a construir perspectivas por meio da educação. À frente de uma instituição com mais de 400 alunos, Bia pretende ir muito além na busca por uma sociedade mais harmoniosa

Talvez tenha sido a fotografia – como ela mesma diz – que despertou o seu olhar para o próximo. Bia Fiuza começou a fotografar em suas viagens para o exterior como uma maneira de registrar o que vivia. Quando voltou para o Brasil, com o objetivo de fazer faculdade, iniciou o curso de Comércio Exterior, mas sentiu que não era isso que aquecia o seu coração. Mudou, então, para Comunicação Social, e fez o passatempo das viagens virar seu trabalho e, principalmente, sua janela para observar o mundo e as pessoas.

Estudou Fotografia em Paris e fez mestrado em Antropologia Visual e da Mídia em Berlim, onde toda sua paixão só se confirmou. Documentar pessoas e as relações culturais e sociais era o seu maior propósito.

Decidiu fazer sua dissertação em uma organização não governamental no distrito de Juá, em Irauçuba, no noroeste do Ceará. “Alguns amigos meus estavam desenvolvendo um trabalho ligado à educação e ao desenvolvimento comunitário. Resolvi fazer minha pesquisa sobre a relação afetiva que essa ONG desenvolvia com a população. Foi lindo, foi uma experiência maravilhosa.”

Esse momento da vida de Bia fez com que ela se aprofundasse em temas como desenvolvimento social, pedagogia e educação. Após defender a sua dissertação, trabalhou durante um ano na instituição e voltou para Fortaleza a pedido do pai, Lauro Fiuza, que pretendia colocar em prática um sonho antigo de desenvolver, em Fortaleza, um trabalho social ligado a educação musical.

Então, em 2012, nasceu o Instituto Beatriz e Lauro Fiuza (IBLF), organização que leva o nome dos pais de Bia e oferece aulas de música clássica e karatê para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

A organização sem fins lucrativos iniciou suas atividades atendendo a 50 alunos em uma só sede, no bairro Passaré. Ao longo dos anos expandiu o projeto para dentro da Fundação Carlos Pinheiro e iniciou uma parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), oferecendo aulas de música na Casa José de Alencar. Hoje, o IBLF atende a 500 alunos dos mais diferentes bairros de Fortaleza.

Além da formação musical e no esporte, a instituição coordenada por Bia oferece um programa de desenvolvimento humano chamado Envolver. Desde o início, o IBLF se preocupou em olhar para a família, mas foi a partir do ano passado que o projeto de acompanhamento das relações do aluno com a família e a comunidade realmente tomou forma.

“A busca de tudo isso, a questão toda é que a gente acredita que através do investimento nas pessoas e de uma formação mais ampla dos indivíduos é que a gente pode pensar em uma transformação social no nosso estado.”

Bia acredita que promover o bem-estar social é um dever de todos e que todos podem contribuir para uma sociedade melhor. Para ela, o que as pessoas precisam é de perspectiva, de acesso à informação. “Estar em uma situação de vulnerabilidade social não é estar fadado à miséria ou à marginalidade. O que o IBLF busca é mostrar para nossos alunos e pra comunidade que é possível construir um caminho próspero. Eu acredito nisso. É possível buscar uma transformação e uma melhoria para o nosso mundo. Basta a gente se engajar, se envolver e fazer.”

A sensibilidade do olhar de Bia Fiuza se reflete na ternura da sua fala. A confiança que transmite quando fala sobre seu trabalho é quase palpável. Impossível conhecer sua história e não sentir um pouco da transformação pela qual ela tanto luta. Seus olhos semicerrados pelo seu sorriso largo jamais se fecham para o mundo.

Para Bia, são essas as ONGs que você tem que conhecer:

Fundação Casa Grande – Nova Olinda – CE

Fundação Gol de Letra – RJ e SP

Projeto Guri – SP

Instituto Ayrton Senna – SP

Yunus Social Business – Internacional

Colaboradores

Leilane Freitas

Leilane Freitas

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Já se aventurou pelo mundo do teatro e da dança. Escrevia no jornal da escola mas ainda não sabia que escolheria isso como profissão. Acredita no jornalismo como uma maneira de mostrar o lado positivo dos pequenos detalhes da vida. Procura enxergar coisas boas em tudo, mesmo nas piores intenções. Decidiu escrever porque, aparentemente, falar sozinha não parece ser coisa de gente em sã consciência.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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