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Mora

A casa-museu de Guayracá e Gorete

Com Guayracá de Lavor Por Marcela Benevides, Igor de Melo
19.jun
2018

Guayracá de Lavor é psiquiatra e militar aposentado. Desde pequeno gostava de colecionar revistas e gibis. Quando ficou mais velho, cativou o hábito de guardar objetos antigos e contar suas histórias para quem quiser ouvir. Sua casa é o reflexo dessa paixão curiosa.

A casa de número 12 na rua norte-sul não se difere, externamente, das demais residências ao redor. Mas para os mais atentos, um detalhe já chama atenção antes de passar pela entrada. As placas estampadas acima do portão da garagem anunciam que Guayracá de Lavor e Gorete Moura vivem ali.

Na chegada, um impacto. Objetos de tipos e tamanhos variados estão dispostos pela varanda e tudo se mistura naquele espaço. As antigas máquinas de costura, ferros de passar a gás butano e até a placa de inauguração do Cine Theatro Majestic Palace, datada de 14 de julho de 1917.

“Sabe por que 14 de julho? Porque em 14 de julho de 1799 aconteceu a queda da Bastilha e deu início a Revolução Francesa, por isso a homenagem de 14 de julho de 1917. O cinema foi inaugurado por Fátima Miris, que era chamada na época de transformista. E essa placa é original.”

No interior da casa os olhos não sabem onde repousar e é fácil se perder na imensidão de peças. Cada espaço conta a história de uma época, de pessoas e de situações diversas. A sensação é de estar dentro de um livro de História, mas com um diferencial: é possível tocar e não apenas ver.

Relógios de muitos tamanhos e estilos se destacam, e o ‘cuco’ embala a visita. Pelo caminho, gramofones do início do século XX, TV “pé de palito” da década de 1960, telefones de parede, lamparinas, espadas, armaduras… A coleção é extensa! Guayracá gosta de tudo o que tem, mas as armas antigas têm um espaço a mais no seu coração, e isso fica claro, já que elas preenchem a decoração da casa, seja pendurada na parede ou em molduras na estante.

Tudo começou há 62 anos, quando ele era uma criança de apenas 7 anos e gostava de colecionar revistas e gibis. Depois, passou a guardar outros objetos e desde então constrói o seu acervo. “Eu gosto de colecionar coisas que dizem respeito a filmes que eu assisti ou histórias que li.” Os artefatos foram adquiridos ao longo dos anos, alguns ele foi comprando, outros ganhando, mas uma coisa é certa, ele conhece a história de todos.

Dentre as narrativas, algumas são do próprio Guayracá. Ele guarda a cadeira (carteira) em que sentava na escola – uma marca que deixou embaixo dela é a certeza de que era a sua. “O meu coordenador conseguiu resgatar a carteira e mandou ela pra mim.” A sua coleção de discos de vinil se mistura com os 10 mil DVDs, e estes já podem ser considerados uma relíquia mais moderna; e a quantidade de discos e filmes é reflexo do hábito de ouvir e assistir que gosta de cultivar. “Desde pequeno a minha diversão era ver filme. Não existia um filme, na minha classificação, que eu não tivesse assistido.”

Na parede da sala, os brasões das famílias Lavor e Moura se misturam a totens, cocar, arco e flecha, objetos da cultura indígena que levam a imaginação para longe quando Guayracá começa a narrar a história da origem do seu nome. “Guayracá é um nome indígena e significa ‘o lobo mágico dos campos e das águas’. Aqui no Brasil não tem lobo, mas tem o lobo-guará, e essa é a minha história.”

Os pais não colecionavam e os poucos objetos antigos que tinham em casa pertenciam ao avô, por isso Guayracá nunca se imaginou morando em uma casa como a sua, repleta de narrativas. A sua casa é um livro aberto para quem tem vontade de ouvir e saber mais sobre histórias de tempos atrás. Ele não sabe quem vai ficar com todos os seus artefatos, mas tem certeza que continuará colecionando, assistindo filmes e ouvindo músicas.

Colaboradores

Marcela Benevides

Marcela Benevides

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Ler e escrever são as duas coisas que mais a definem. Gosta de contar histórias sobre pessoas e lugares que inspiram a felicidade e a percepção de que a vida vai além das bolhas em que vivemos, e é na cidade que encontra a sua inspiração. Acredita que o jornalismo é um dos meios para promover a união entre culturas. Importante destacar: tem o sol em leão.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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