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CCXP Tour Nordeste (ou ‘quando o Ceará invadiu Recife’)

Por Luiza Carolina Figueiredo
19.abr
2017

Na CCXP Tour teve atração nacional e internacional. Mas o que a gente quis ver mesmo foi os cearenses talentosos que estavam lá expondo seu trabalho na ‘ala dos artistas’

Foi em 2014 que vieram com a história de criar a Comic Con Experience (CCXP) no Brasil, mais precisamente em São Paulo, um evento inspirado na San Diego Comic-Con, a maior convenção de cultura pop (para ser extremamente sucinto) do mundo. E não é que, três anos depois, inventaram de fazer um tour com a CCXP? Primeira parada: Recife, porque em terras nordestinas há um solo bastante fértil – e há muito já fecundado – para nerdices.

A CCXP Tour pode até ter sido em Pernambuco, mas o que não faltou foi cearense marcando presença, seja prestigiando o evento, fazendo a programação ainda mais incrível ou mostrando o seu talento.

Representando o cinema nacional, por exemplo, estavam lá Halder Gomes, Edmilson Filho e Falcão para falar sobre o sucesso de bilheteria de “Cine Holliúdy” e “O Shaolin do Sertão”, e contar um pouco do que se pode esperar de “Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral”, que sai em 2018. E como não podia ser diferente, o trio fez um auditório lotado cair na gargalhada com as explicações sobre os filmes, a cearensidade e o “desafio do digitador”, que não aguentou o ritmo da fala de Edmilson Filho e “pediu arrego”.

Já na ‎Artists’ Alley, dos 185 artistas de todo o Brasil que estavam lá expondo seus trabalhos, quase 10% eram cearenses. E Vós conseguiu falar com a maioria deles. Confere aí!

Zé Wellington é natural de Sobral. Ele tem 33 anos e faz roteiros para quadrinhos desde 2004. Isso se for contar as histórias longas, pois antes disso já fazia fanzines. E ele está justamente na função mais controversa dos quadrinhos, a de roteirista. “É uma batalha pra explicar o que faz. É estar à margem de uma arte marginal”. E enquanto ele tenta explicar, vai ganhando alguns prêmios, como o Troféu HQMIX 2016 (o que seria uma espécie de Oscar dos quadrinhos do Brasil) na categoria Novo Talento – Roteirista com a HQ “Steampunk Ladies: Vingança a Vapor”. E o segundo volume está vindo aí, junto com “Cangaço Overdrive”.

Nycolas Di tem 24 anos e faz prints desde 2014. De modo geral, ele gosta de fazer desenhos envolvendo cultura pop e gosta de juntar uma ideia com outra. Esta foi a primeira vez que expôs num evento fora de casa e, olha… “foi melhor do que lá”.

Brendda Lima também tem 24 anos, trabalha com quadrinhos há dois anos, mas faz ilustrações desde os 10. Ela é integrante do Netuno Press, um selo de quadrinhos cearense. Seu trabalho busca colocar as mulheres como protagonistas, “aquelas que não se viam antes nos quadrinhos”. Brendda também deu cores ao terceiro volume de “Mayara & Annabelle”, HQ cujo pano de fundo é o Ceará, roteirizada pelo maceioense Pablo Casado, que merece menção honrosa pela pesquisa de lugares, expressões e pontos turísticos que são de fazer inveja a muito cidadão da Terra da Luz. “Foi muito estudo e pedido de ajuda ao Talles” [Rodrigues, desenhista e idealizador da HQ].

Jean Sinclair, 38, trabalha como quadrinista e ilustrador já há 12 anos. Em seus prints, é possível ver desenhos tanto mais puxados para o cartoon, como os mais realistas, com temas voltados para artes marciais, vídeo game e super-heróis. E ele tem um episódio curioso no currículo, um desenho conhecido não reconhecido. Quando começaram a surgir os boatos de um filme solo do Asa Noturna, um site gringo compartilhou um desenho dele na internet, mas não colocou os créditos. Em pouco tempo, todos conheciam o desenho, mas ninguém sabia que era dele.

Jonathan Lima, 34, faz ilustrações desde 2003 e quadrinhos desde 2010. Se nos prints ele prefere um traço mais “cartoonesco”, com personagens fofinhos, quando o assunto é quadrinhos, a pegada é totalmente diferente. A HQ “Pereba de Gato”, por exemplo, lançada na CCXP, carrega uma veia mais humorística com as piadas e brincadeiras dos “pirangueiros”.

Pow Rodrix, 35, é daqueles quadrinistas que trazem no currículo trabalhos para Marvel e DC. Já desenhou Liga da Justiça, Vingadores e Wolverine, sendo este último seu preferido. “Porque eu adoro desde moleque”. Hoje trabalha para editoras independentes e se dedica a fazer prints de cultura pop. Ah! Ele também está ilustrando o quadrinhos “Tempest Girl – no cantar da Jandaia”, roteirizado pela filha, Esther Rodrix.

Ise Nishi, Débora Nishi e Edu Matos começaram a fazer tirinhas para publicar na internet sobre situações do cotidiano, outras nem tanto, mas bem engraçadas. Assim nascia o ‘Entre as Sarjetas’ há dois anos. Este ano, eles decidiram compilar as tirinhas num livro e estrear a participação em eventos, “o primeiro da vida”, logo na CCXP. Ise diz que a localização poderia ser melhor, mas que foi bem divertido.

Dharilya, 28, começou nos quadrinhos fazendo fanzines independentes, mas se achava muito “molecote” para vender seu trabalho. Até que, em 2014, publicou sua primeira história pela editora JBC na antologia HENSHIN! mangá, “Entre Monstros e Deuses”. Dois anos depois estava sendo indicada ao Troféu HQMix na categoria de publicação independente de grupo e quadrinho juvenil pela coleção “Relicário HQ”.

Natália Prata, 26, está no seu primeiro ano como ilustradora. Antes disso, era arquiteta. Mas sempre gostou de “desenhar coisas fofinhas e meninas poderosas”, além de já ter sua parcela de participações em eventos locais fazendo ilustrações como o Sana e a Feira de Quadrinhos.

Guabiras, 38, já é um conhecido de Vós. Apesar dos 25 anos fazendo fanzine e dos 19 como cartunista e jornalista, ele diz que não costuma participar de muitos eventos grandes para “expor sua arte”, que normalmente é comprada por amigos. “Mas eu gosto mesmo de vender pra desconhecidos, de ver a reação das pessoas”. E esses desconhecidos da CCXP estavam querendo muitos desenhos originais, a coletânea com a participação do Guabiras na MAD e a HQ ‘Os heróis mais fuleiragens da Terra’.

Diego Bernard, 28, é de Juazeiro do Norte, mas desenha diretamente para os States. Ele trabalhou por quatro anos para a Valiant Editora, desenhando para HQs como “Generation Zero”. Atualmente, faz trabalhos regulares para o mercado americano, com a venda de originais e de prints de heróis que agradem o público e o gosto pessoal, é claro.

Fred Benes, 29, é também de Limoeiro do Norte. Também já trabalhou para o mercado americano, tendo desenhado Witchblade juntamente com Bernard. Em seus prints, retrata personagens de filmes, jogos, séries, e HQs – de preferência femininos – com cores vibrantes, pois “quanto mais colorido, melhor”.

Julio Cesar, 28, é ilustrador e designer de personagens. Ou seja, ele cria o conceitos visuais de acordo com as características dos personagens. Nas ilustrações, Julio faz cartoons bem coloridos, reproduzindo cenas icônicas do cinema ou colocando personagens da cena pop em situações cotidianas, “porque assim as pessoas se identificam”.

Daniel Brandão, 41, dispensa apresentações para Vós. A CCXP Tour foi o local de lançamento de seu novo Sketch Book, este editado pela Editora Criativa, com lombada quadrada e um apanhado de artes inéditas. Ele também levou parte do projeto de incentivo à leitura “Ler é…” e a “Antologia HQ”.

Julia Pinto, 26, é ilustradora e quadrinista. Durante um tempo, foi contratada da Marvel para fazer trading cards (cartões colecionáveis) de figuras femininas. Gostou e continua desenhando mulheres até hoje. Ah! E ela usa muita aquarela!

E por falar em aquarela… Lembra da Blenda Furtado? Sabemos já que ela também gosta de desenhar figuras femininas, mas descobrimos uma nova paixão: velhos clássicos da cultura pop, a exemplo do de retrato de David Bowie como Jareth, o Rei dos Duendes, em O Labirinto. “Também desenho artes de mangá para aula, para livro de RPG e outras porque gosto mesmo”.

Colaboradores

Luiza Carolina Figueiredo

Luiza Carolina Figueiredo

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Apesar de jornalista, sonha com ficção e, por isso, fica animada em ouvir os causos dos outros - quem sabe não tira inspiração para um futuro romance? Acredita que, se escrever de tudo um pouco, um dia vai conseguir a história que realmente quer. Leitora compulsiva, está sempre com um livro ou HQ nas mãos (ou na bolsa). É meio tímida, mas tem um bichinho tagarela dentro dela que, quando começa a falar, quase não para. E se a conversa for geek, então...

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