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Histórias

O Chá (com Rapadura) das cinco e o podcast mais arretado da Grã-Bretanha

Por Luiza Carolina Figueiredo
08.ago
2017

Cinco cearenses morando em partes diferentes da Inglaterra inventaram de fazer um podcast falando das marmotas que veem por lá. Um ano depois, são indicadas ao PRESS AWARD UK 2017

Reza a lenda que tem cearense espalhado por tudo o que é canto. Há até aquela história que diz que, quando o homem chegou à lua, já tinha um cearense lá perguntando o motivo da demora.

Brincadeiras à parte, somos um povo desbravador, e essa é bem a verdade. Mais que isso: onde tem um cearense, tem também um pouquinho do Ceará com ele, pois aqui não se nega sangue nem nome, muito menos humor.

Juntando essas três características numa panela – coragem pra explorar, cearensidade e muita gaiatice – até que se faz um bom melado. Quer dizer, rapadura, já que a gente é forte, consistente, mas não perde a doçura. E se servir com o tradicional chá inglês, temos o podcast mais arretado das ilhas britânicas: o Chá com Rapadura.

Quem serve essa iguaria são cinco cearenses que vivem na Inglaterra: Cintia Bailey, Brena Collyer, Thais Lima, Taianá Maia e Riviane Araujo; uma comunicadora, uma full-time-mum, uma guia turística, uma cientista e uma childminder, respectivamente. Em momentos e por motivos diferentes, elas juntaram as trouxinhas e foram se aventurar na terra da rainha. Uma conhecia outra e elas foram se apresentando aos poucos, até que a comunicadora convenceu o grupo a fazer o podcast.

“Objetivo mesmo ninguém tem. A gente não espera muita coisa. O Chá representa um retorno à nossa casa. Naqueles minutos, podemos conversar sobre tudo que vivenciamos aqui e também relembrar como a vida era no nosso Ceará. Através das memórias, a gente consegue criar um programa não só bem humorado, mas também cheio de saudade.”

Esse bom humor é um dos pré-requisitos para as escolhas de temas dos episódios. “Vamos tentando achar um que todas têm algo a dizer, mas que também seja cômico e que dê realmente para trazer alguma história hilária de cada uma. Até com o nosso episódio sobre feminismo, que fizemos com a Lola Aronovich, tratamos do assunto de maneira leve e descontraída.”

Ah! Os convidados… Outro ponto importante. Vez ou outra aparece uma nova voz por lá pra “colocar mais água nesse feijão.” Entre outros, já tomaram desse chá o humorista Falcão e a concurseira cearense mais famosa da internet, Mila Costa.

E quando falta assunto, faz o quê? Vai de “Sarapatel”, um verdadeiro giro pelas vísceras do mundo. “Vimos que estava ficando difícil ter um programa temático cada vez que sentávamos pra gravar. Aí chegamos à conclusão que poderíamos cada uma trazer notícias diferentes, mazeladas, divertidas, etc, e que a gente iria gravar um “sarapatel de notícias”, em que o mais engraçado seria o efeito surpresa, já que ninguém sabe a notícia que a outra vai trazer. É tipo um noticiário da esculhambação!”

Vida fora de casa

De todos os assuntos conversados durante o Chá, o que mais se repete é o de como ser cearense numa terra estrangeira. “É sofrer pra se acostumar a viver sem o sol e a praia. Se adaptar a culinária nova, a costumes diferentes, a viver longe dos conselhos não requisitados de parentes e amigos, a criar os filhos sozinhas, a fazer amizade em outra língua, a se libertar das garras do medo da violência, a beber água da torneira, a sofrer por não ter água de coco, a perder aniversários da família que ficou, e muito mais. Muitos altos e baixos.”

E também não falta aquele sobre as saudades – ah, essa palavra que só existe em português… E a maior é “da família, com certeza. Quatro de nós somos mães e estamos criando nossos filhos longe dos primos, dos tios, dos avós. A língua e os costumes ingleses vão prevalecer pra eles, mas a gente se esforça pra manter as raízes do Ceará vivas neles. Fortaleza é apenas um ponto na memória – as férias -, pois a casa deles é aqui. Então, o aconchego familiar é o que mais faz falta.”

Hora do Chá!

Pra um projeto que começou despretensioso – e até ligeiramente desacreditado por alguma das integrantes que achavam que esse negócio de áudio não tinha futuro – num é que elas se garantiram? Com pouco mais de um ano, já são mais de 35 mil acessos na página oficial e até fã-clube com direito a grupo de conversa no Telegram. “É lindo. Temos os melhores ouvintes na podosfera!”

O Chá com Rapadura é ouvido não só no Ceará, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. “Ficamos até bem surpresas de como tem ouvinte que não é cearense nem nunca veio à Inglaterra, mas mesmo assim curte ouvir a gente. E o melhor, entende o que falamos! Internacionalmente, estamos em todo canto: Estados Unidos, Portugal, Canadá, Itália… Garanto que são expatriados que sentem saudades de casa, como nós.”

E como se essa ruma de ouvinte já não fosse o bastante, em julho veio outro tipo de reconhecimento: o Chá com Rapadura foi indicado ao Brazilian International PRESS AWARD UK 2017, uma das mais importantes premiações da cultura brasileira no exterior, criado nos EUA e, desde 2011, com edições em Tóquio e Londres.

“Não temos ideia de como fomos parar numa premiação. Estão loucos! Mas foi muito legal ver nosso nome numa categoria tão bonita: Fenômeno Digital. E não conhecemos ninguém na organização do evento. Então foi uma indicação genuína. Sinal de que estamos fazendo alguma coisa certa! Na verdade, acreditamos que ganhar esse prêmio seria a confirmação de que nosso podcast é mesmo legal, e que tem destaque aqui fora. E vamos poder ‘se amostrar’ pros amigos no Brasil, dizendo que ganhamos um prêmio internacional!”

A votação fica aberta até meia-noite do dia 30 de setembro. Então, vota lá (ou aqui) pra dar uma força pras meninas e depois dá uma passada no Chá com Rapadura pra achar graça de uma conversa ou outra.

Serviço

Chá com Rapadura
Página: chacomrapadura.com
Soundcloud/chacomrapadura
Facebook/chacomrapadura
Instagram/chacomrapadura
Twitter/chacomrapadura
Telegram/chacomrapadura

Colaboradores

Luiza Carolina Figueiredo

Luiza Carolina Figueiredo

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Apesar de jornalista, sonha com ficção e, por isso, fica animada em ouvir os causos dos outros - quem sabe não tira inspiração para um futuro romance? Acredita que, se escrever de tudo um pouco, um dia vai conseguir a história que realmente quer. Leitora compulsiva, está sempre com um livro ou HQ nas mãos (ou na bolsa). É meio tímida, mas tem um bichinho tagarela dentro dela que, quando começa a falar, quase não para. E se a conversa for geek, então...

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