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Histórias

Contar a mesma história com cores e ângulos diferentes

Com Suzana Paz Por Marcela Benevides, Igor de Melo
14.jan
2019

Sorridente e tímida, ela já contada metade da sua vida dedicada à arte

Nem sempre trabalhou com ilustração, mesmo sendo uma das suas grandes paixões desde que se entende por gente. Quando pequena, seus professores elogiavam seus desenhos e os deixavam pendurados na sala de aula, por acreditarem que estavam “além do padrão”.

Ela era o tipo de criança que deixava de brincar para desenhar – mesmo que isso fosse uma outra forma de brincadeira. A pequena Suzana Paz não fazia cerimônia e desenhava onde via uma oportunidade. No chão, em qualquer tipo de papel ou superfície, ela fazia arte onde desse. E aos poucos a ilustração foi se incorporando à sua personalidade.

Começou trabalhando na área pedagógica, ensinando crianças do fundamental em uma escola de bairro, e foi como educadora que Suzana percebeu que poderia explorar outras possibilidades. “As outras professoras me pediam para fazer as ilustrações, a decoração de sala e os desenhos nas tarefas, foi aí que comecei a vislumbrar a possibilidade de trabalhar em editoras, desenhando paradidáticos, e decidi seguir o rumo.”

Ama a ilustração da mesma forma que ama trabalhar com crianças, e decidir pela arte não foi uma tarefa fácil, mas o conforto vem em saber que nunca deixou a área pedagógica por completo, já que hoje o seu trabalho é direcionado para ilustrações de livros infantis.

O seu processo de criação é realizado com base em leitura e estudos. Para construir seus personagens e as histórias de cada um, ela precisou estudar desenho voltado para área de construção de personagem. “Eu sou autodidata e alguns materiais eram inglês e em outras línguas, mas eu não sentia dificuldade. Então eu estudava muito desenho voltado para construção de personagem pra poder começar a criar os meus e as minhas histórias. Mas com dificuldade, porque na época não tinha curso voltado para design em Fortaleza.”

Ilustrar, de acordo com Suzana, é contar a mesma história, mas de formas diferentes. E por isso é importante saber em que época se passa, quais eram as cores mais utilizadas no momento, quais eram os materiais em alta, pois dessa forma ocorre o “processo de internalização daquela história”. “É como sair da sua vida e entrar numa realidade criada, mas com referências daquilo que já aconteceu, é uma viagem maravilhosa. A ilustração é sempre um complemento do texto, não podemos fugir da história, mas podemos entender a história a partir de outra linguagem.”

Em dezembro de 2018, Suzana foi uma das sete artistas convidadas para o Jegue Parêidi, um workshop idealizado e realizado pelo Sistema Jangadeiro com as crianças atendidas pelo Lar de Clara, com o objetivo de estimular a criatividade por meio da pintura. “Participar do Jegue foi uma surpresa irrecusável e quando eu soube que tinha criança envolvida vi a possibilidade de juntar as duas coisas que eu mais gosto: criança e arte.”

A artista definiu o momento de integração com as crianças como um momento “prazeroso”, porque foi uma vertente diferente do que ela está acostumada a fazer. “Faço algo mais voltado para papel e computador, porque a ilustração hoje é muito ligada ao computador, então pegar a tinta e sujar as mãos e fazer arte é uma coisa maravilhosa.”

Dentre as cores do arco-íris com que mais gosta de sujar as mãos, o laranja é a sua predileta. Por quê? “Por ser uma cor quente, viva e alegre”. Sempre presente nos seus trabalhos, seja em um detalhe ou com grande destaque, o laranja faz parte da sua composição artística.

Colaboradores

Marcela Benevides

Marcela Benevides

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Ler e escrever são as duas coisas que mais a definem. Gosta de contar histórias sobre pessoas e lugares que inspiram a felicidade e a percepção de que a vida vai além das bolhas em que vivemos, e é na cidade que encontra a sua inspiração. Acredita que o jornalismo é um dos meios para promover a união entre culturas. Importante destacar: tem o sol em leão.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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