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[Deu Certo] - Faiz: velhos ofícios em mãos jovens

Por Leilane Freitas, Igor de Melo

Acredita em Vós

18.dez
2017

Estamos aqui, semana após semana, contando histórias de pessoas que decidiram dar uma virada na vida e apostar todas as fichas em um sonho. Criativos e corajosos, nossos personagens empreendedores fizeram com que suas ideias se tornassem realidade e dessem certo. Talvez seja exatamente esse o espírito da coluna. Nos últimos meses passou por aqui uma galera que deu forma a um pensamento e o transformou em realidade. E não tinha jeito melhor de encerrar essa temporada do que apresentando um quinteto que faz da essência da “Deu Certo” sua própria atividade.

A Oficina Faiz é novinha, tem cerca de um ano, porém é um espaço sonhado há muito tempo por cinco amigos que descobriram um gosto em comum: fazer trabalhos manuais e ter o prazer de construir seus próprios móveis, itens de decoração e executar consertos de mobiliário. Um passatempo que se transformou em negócio. “Também fazemos forja e cutelaria. Tem gente que já chega com o projeto pronto e nós só executamos. Outros não tem ideia do que fazer e nós vamos lá e criamos. Até peça de máquina quebrada os clientes trazem pra cá pra ver se a gente consegue reproduzir”.

Eles começaram a fazer um serviço pra família aqui, outro ali pra alguns amigos mais próximos… A partir daí os clientes de verdade foram chegando. “A gente quis dar início a esse projeto, mas ninguém tinha dinheiro para ter todos equipamentos. Cada um tinha alguma coisa e foi trazendo, então decidimos juntar tudo e fazer uma espécie de oficina colaborativa”.

Davi Maia, 29, trabalha com fotografia desde os 20. Começou a cursar Publicidade, depois Direito, mas com o tempo se desestimulou com ambos. “Desde criança eu gostava muito de desmontar as coisas em casa pra montar outras. É uma coisa que sempre quis fazer; pensava em ter um trabalho e ter uma oficina pra fazer as coisas pra mim. Então quando surgiu a oportunidade de juntar com os amigos pra fazer a Faiz consegui unir duas coisas que gosto e ganhar um dinheiro extra”.

Assim como Davi, os outros quatro amigos cresceram destruindo e construindo as coisas em casa. Anderson Bruno, 25, tem uma história bem parecida com a do amigo. “Tentei cursar Engenharia Elétrica, depois Mecatrônica, mas não cheguei a terminar nenhuma das duas. Em casa, desde muito cedo, eu gostava de consertar e de tentar entender como as coisas funcionavam. Minha mãe não gostava muito, mas quando viu que eu realmente conseguia fazer, acabei me tornando o cara que conserta tudo”.

Outro dos sócios, Matheus Schommer, tem 24 anos e desde os 15 já sabia bem com o que queria trabalhar. “Faço Arquitetura e me inspirei muito em um primo meu. Sempre fui muito criativo, gostava de desenhar e de construir. Já trabalhei em escritório na área e aprendi muito lá. Cada um aqui sabe mais alguma coisa que o outro e assim a gente vai se ajudando”.

O Hiago Teixeira, 23, nasceu em Tauá, mas já morou em diversas cidades do Ceará. Aos 13 veio para a capital pra estudar. “Terminei o ensino médio e fui fazer Engenharia Mecânica, lá comecei a mexer com ferramentas. Meio que passei por uma crise existencial dos 20 e poucos anos e fui fazer Arquitetura. Conheci mais essa parte de design e criação de mobiliário que é a parte que eu mais gosto. Assim como o resto da galera, já arriscava fazer minhas próprias coisas em casa”.

Já Lucas Azevedo, 26, conheceu a galera da Faiz em uma outra oficina que frequentavam antes. No início do ano se formou em Engenharia de Produção e o trabalho tem ocupado bastante o tempo dele. Mas sempre que pode vai até lá pra fazer algum reparo ou construir algo pra ele. O engenheiro foi quem trouxe mais conhecimento na área de forja para os amigos.

E já que tem dado certo, Anderson, Davi, Hiago, Schommer e Lucas decidiram compartilhar seus conhecimentos. Há cerca de quatro meses começaram a planejar cursos e oficinas para atrair a galera interessada. Já formaram algumas turmas de marcenaria e em breve abrirão vagas para quem quiser aprender sobre forja e cutelaria.

Em tempos de tecnologia e velocidade máxima nas relações de trabalho e troca, esses jovens amigos resolveram viver de maneira simples e fazendo o que realmente gostam através de ofícios antigos que exigem tempo e paciência. Não se importam em andar com pó de madeira na roupa nem com o olhar de dúvida quando se apresentam como artesãos ou marceneiros. Só o fazer importa.

Serviço

Oficina Faiz
Instagram: @oficinafaiz

Colaboradores

Leilane Freitas

Leilane Freitas

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Já se aventurou pelo mundo do teatro e da dança. Escrevia no jornal da escola mas ainda não sabia que escolheria isso como profissão. Acredita no jornalismo como uma maneira de mostrar o lado positivo dos pequenos detalhes da vida. Procura enxergar coisas boas em tudo, mesmo nas piores intenções. Decidiu escrever porque, aparentemente, falar sozinha não parece ser coisa de gente em sã consciência.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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