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[Deu Certo] - Um Cantinho cheio de grandes ideias

Com Caio Napoleão Por Luiza Carolina Figueiredo, Igor de Melo

Acredita em Vós

29.ago
2016

O começo foi igual a outros tantos começos: namorados que se casam muito jovens, têm um filho e é preciso pensar num meio rápido para sustentar a família. No caso de Caio Napoleão, hoje com 41 anos, a estratégia foi abrir um ponto de venda de frango em um pedacinho da frente da casa dos pais. Frango, linguiça, baião de dois e paçoca.

Foi assim, em outubro de 1994, que surgiu o Cantinho do Frango, na Torres Câmara. “Vi que era um negócio que tinha tudo para dar certo, porque atualmente nem a mulher nem o homem tem tempo ou sabe cozinhar, e tendem a comprar comida ou comer fora. Sem contar que o investimento era muito pequeno: já tinha o espaço e só precisava da churrasqueira, uma mesa para cortar o frango e duas mesinhas”.

Com o passar do tempo, surgiu a preocupação de se destacar e diferenciar dos demais. “A gente começou a vender maminha, picanha, feijoada. Fomos nos diversificando. Depois, uma carta de cachaça com mais de 30 cachaças – hoje tem mais de 350. Queríamos fazer alguma coisa que ninguém estivesse fazendo. Ser diferente. Nisso, fomos os primeiros a vender frango desossado em Fortaleza”.

E deu certo! Caio diz que nunca precisou fazer propaganda do Cantinho do Frango; a divulgação sempre foi boca a boca, espontânea. E isso motivava ainda mais a equipe a se aprimorar, “fazendo um baião de melhor qualidade, comprando o melhor frango. Fiz alguns cursos no Sebrae – de empreendedorismo, gestão, liderança. Também levei o pessoal daqui pra fazer, se capacitar lá, e trouxe outros cursos pra cá”.

Um desses cursos foi o de Desenvolvimento Humano, uma análise para descobrir as aptidões de cada um dos funcionários e conseguir aproveitá-los onde se destacavam mais. “Como aqui era a minha casa e fiquei morando muito tempo, então, sentia como se a gente tivesse recebendo as pessoas dentro de casa. Queríamos também que os funcionários vissem o trabalho como uma extensão da casa e se sentissem à vontade, confortáveis. E que eles passassem para os clientes esse sentimento. Até hoje a gente procura isso”.

Um cantinho bem cultural

A sensação de pertencimento é fortalecida pelo clima caseiro que o Cantinho do Frango se propõe a dar a seus clientes. Tudo começa com uma rápida olhada ao redor do restaurante. Nas paredes, referências a música popular brasileira, e cearense, e pôsteres de filmes. “Sempre gostei muito de cinema e música. Aí resolvi ir colocando referências pelo restaurante de coisas que já tinha, que compro em viagens ou mando fazer”.

De todo restaurante, o cantinho mais aconchegante é “espaço gourmet”, como brinca Caio. O Espaço Napoleão Soares Neto – batizado em homenagem ao pai do empresário, dono de boa parte do acervo que lá se encontra e maior incentivador cultural do filho -, é uma área climatizada com tratamento acústico e decoração vintage. É lá que funciona uma espécie de biblioteca com “livros sobre cinema e música para a pessoa, quando estiver almoçando, se quiser, dar uma lida também”.

Além disso, o espaço também funciona como uma área onde só toca vinil, com mais de 2000 opções para o cliente escolher a gosto. “Gosto muito de música, então quero que as pessoas também escutem esse estilo e passem a também gostar. Porque se ficar só eu ouvindo, não vai adiantar nada, não vai reverberar; vai ficar parado. Tem artistas que eu quero que algumas pessoas conheçam. Então, se eles ouvirem aqui, eles podem começar a gostar”.

Em quintas-feiras alternadas, o Clube dos Gatos – uma mesa boêmia que resgata as raízes da tradicional música popular – e às sextas-feiras, o Piano Bar no Happy Hour. “Isso é um negócio que existia antigamente nos clubes. Aí, chamei um grande amigo meu, o [Tarcísio] Sardinha, que toca muito bem piano, chamei ele pra tocar toda semana e falei, ‘agora, o cachê só tem se vier de paletó’”, acha graça. “Aí, sempre tem alguém para acompanhar, como Márcio Resende no sax. E o microfone fica em aberto, porque se tiver algum cliente que queira cantar, pode”.

Cerca de duas vezes por mês ainda tem voz e violão no restaurante, mas “um pouco diferente. A gente não pega cantores que cantam músicas de outras pessoas; preferimos o próprio autor. Por exemplo, no último domingo foi o Rodger Rogério, um artista cearense que participou do ‘Pessoal do Ceará’. E ainda tem o Projeto “Mimi Convida”, do guitarrista Mimi Rocha que chama artistas para tocarem com ele”.

De pouquinho em pouquinho

Caio ressalta que o Cantinho do Frango foi se fazendo aos poucos, com a contribuição de amigos e familiares. Começou um pedacinho da casa dos pais e foi aumentando uma mesa, depois outra e mais outra…chamando mais uma pessoa pra atender, colocando outra na cozinha, invadindo a casa até dominar todo o espaço de 650m² com capacidade de atender 350 pessoas.

“Tinha muita gente voltando, sem ter onde ficar, então a gente sentiu que tinha um espaço que poderia ser aproveitado e não estava sendo porque estávamos morando. Em 2007, fui morar num apartamento, minha mãe em outro, e expandimos o restaurante”.

A contribuição da família também está no cardápio e é um dos pratos mais pedidos do restaurante. “Temos uma panelada que o nome é ‘Panelada da Vovó Ieda’. É uma receita da minha avó que tem mais de 50 anos e já foi premiada várias vezes, eleita a melhor panelada da cidade”.

Uma das últimas novidades do restaurante foi a caixinha de tulipas de frango para viagem. “Às vezes a pessoa só quer pegar a comida e sair. Então inventamos essa caixinha que vem com luva descartável. São coisinhas simples que a gente nota que são boas e são daqui do Ceará. Como aquela frase, ‘a simplicidade é a máxima da perfeição’. E é bem isso. A gente procura fazer o simplesinho mesmo, mas bem feito”.

Serviço

Cantinho do Frango
Rua Torres Câmara, 71 – Aldeota
(85) 3224.6112
Funcionamento: de segunda a quinta das 9h às 16h, sexta das 10h às 22h30, sábado e domingo das 10h às 18h
cantinhodofrango.com
Facebook: /cantinhodofrango
Instagram: @cantinhodofrangodesde1994

Colaboradores

Luiza Carolina Figueiredo

Luiza Carolina Figueiredo

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Apesar de jornalista, sonha com ficção e, por isso, fica animada em ouvir os causos dos outros - quem sabe não tira inspiração para um futuro romance? Acredita que, se escrever de tudo um pouco, um dia vai conseguir a história que realmente quer. Leitora compulsiva, está sempre com um livro ou HQ nas mãos (ou na bolsa). É meio tímida, mas tem um bichinho tagarela dentro dela que, quando começa a falar, quase não para. E se a conversa for geek, então...

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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