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Histórias

[Patrimônios Históricos] - Edifícios que contam história: o centenário Palacete Ceará

Por Leila Nobre, Igor de Melo, Michele Boroh

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10.nov
2015

Prédios contam nossa história, também. E como é importante mantê-los preservados. Em parceria com o Conselho Regional de Engenharia (CREA-CE), Vós estreia hoje um cantinho dedicado à memória edificada da cidade, concebido por Leila Nobre, arquivista e pesquisadora. Conheça o Palacete Ceará.

O centenário Palacete Ceará

Em 1914, Fortaleza vivia a euforia da chamada Belle Époque (Bela Época). Era pequena, contava apenas com 72.132 habitantes. A cidade assistia com entusiasmo à inauguração da linha de bondes de tração elétrica e via circular pela última vez um bonde de tração animal. Nascia a Associação dos Merceeiros, era fundado o Ceará Sporting Club, ainda como Rio Branco Foot-ball Club. O mundo tremia diante da primeira Guerra Mundial e o Ceará, diante da Revolução Cearense e da Sedição de Juazeiro.

Foi nesse cenário que o “Coronel” José Gentil de Carvalho, rico empresário cearense, dono da firma “Frota & Gentil” (que mais tarde se transformaria no Banco Frota Gentil S.A.) e da “Imobiliária José Gentil”, manda erguer com planta do arquiteto João Saboia Barbosa, o “Palacete Ceará”. Para isso, o empresário contratou a firma Rodolfo F. da Silva & Filho. O construtor foi Eduardo Pastor.

Anteriormente, no local onde hoje se ergue o Palacete Ceará, existia o prédio do Ensino Mútuo de Fortaleza, inaugurado em 1829, época em que a Rua Floriano Peixoto, era Rua da Alegria e a Guilherme Rocha, a Travessa 24 de Janeiro.

Símbolo de um período de grandes transformações na fisionomia da cidade, o Palacete Ceará, foi, durante muito tempo, ponto de encontro da sociedade fortalezense. Suas linhas revelam elementos inerentes ao ecletismo arquitetônico, com predominância do neobarroco. Sem dúvida, uma das obras mais representativas das primeiras décadas do século XX.

Originalmente, o Palacete Ceará possuía amplos salões corridos, contíguos à escada de acesso, nos quais funcionava, no térreo, o Rotisserie Sportman (Restaurante, sorveteria, café e casa de chá, com orquestra regida pelo maestro e compositor Antônio Moreira, o Moreirinha), de propriedade do comerciante Efrem Gondim (Depois pertenceu à firma Jereissati & Companhia) e nos andares superiores, o Clube Iracema, lugar de encontro da aristocracia cearense.

Com as transformações pelas quais passou a cidade, principalmente depois do fim da Segunda Guerra Mundial, novas funções foram dadas ao Palacete Ceará que acabou por ter uso degradado, sofrendo, em consequência, algumas intervenções em seu interior.

Em 1945 passou a ser ocupado pela Caixa Econômica Federal (Sendo adaptado às novas funções), que o comprou em 26 de dezembro de 1955.

No dia 8 de julho de 1982, o prédio é vitimado por um grande incêndio, que consumiu totalmente seu interior, conservando, no entanto, as fachadas em bom estado (Mérito do Corpo de Bombeiros). Houve grande mobilização para que o fogo não se alastrasse e acabasse por atingir os prédios vizinhos.

Na época, duas hipóteses foram levantadas para justificar tamanho estrago. A primeira foi a de que uma funcionaria havia deixado o Telex ligado, sobrecarregando o aparelho e causando um curto circuito. A segunda hipótese é de que o ar condicionado tenha dado mal contado, iniciando assim o incêndio.

A direção até pretendia derrubar e construir um novo prédio (um edifício moderno de 12 andares), mas a imprensa, os arquitetos e o clamor do povo em geral, fez com que (depois de 69 anos), o Palacete fosse enfim protegido pelo Tombo Estadual (segundo a lei n° 9.109 de 30 de julho de 1968), através do decreto n° 16.237 de 30 de novembro de 1983. Dessa forma, em 1984, a Caixa Econômica Federal reconstruiu todo o prédio internamente e recuperou sua linda fachada que não havia sofrido grandes danos.

Vale destacar a relevância do Palacete para o estado do Ceará no início da década de 20 a meados da década de 40, quando aconteceram vários fatos importantes para a cidade de Fortaleza e para o estado. Foi lá que o presidente da época Getúlio Vargas foi homenageado e discursou, e onde o então presidente eleito do estado Matos Peixoto tomou posse no dia 12 de julho de 1928.

Colaboradores

Leila Nobre

Leila Nobre

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Leila Nobre é pesquisadora Memorialista. Idealizou e mantêm o site Fortaleza Nobre, onde procura resgatar a Fortaleza antiga, em suas ruas, praças, praias, monumentos. É casada e mãe de três meninas. Ama ler e escrever.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

Michele Boroh

Michele Boroh

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Nasceu no Dia do Jornalista. Aos 9 criou o Jornal dos Amigos do Prédio, em folha de caderno e à base de canetinha. Agora, aos 30 e após 8 em TV, é coordenadora de conteúdo e colunista de VÓS, com a mesma paixão da infância. É também cronista no Tribuna do Ceará, viciada em livro, cavaquinista de churrasco e futura mãe de 4.

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