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Histórias

Ela costura Fortaleza com África

Com Lita Stephany Por Jonathan Silva, Igor de Melo, Gabriel Lage

Acredita em Vós

15.jul
2019

Numa pequena sala localizada na Avenida Mister Hull, no bairro Antônio Bezerra, um microcosmo da cultura africana está instalada em formato de loja. No seu mostruário estão peças como roupas, brincos, turbantes, tecidos e demais acessórios com um colorido representativo. Da África é também a dona do local: Lita Stephany, natural de Guiné-Bissau e proprietária da RModa Africana.

A loja tem nome em homenagem ao filho Railson Gabriel, inserindo o “R” antes de moda. O desenho de uma mulher ostentando um cabelo afro está nas etiquetas das roupas, que são feitas manualmente com a ajuda de uma costureira amiga de Lita. Ativa na internet, a empreendedora sempre compartilha nas redes sociais fotos de seus clientes usando suas roupas. Quase todos são negros do Ceará e de outros lugares do Brasil.

Morando em Fortaleza desde 2008, a guineense não esconde seu sotaque carregado de sorrisos na hora de falar de seu empreendimento, que teve início quando ainda era uma estudante de Recursos Humanos na capital cearense. O colorido das roupas de Guiné-Bissau chamava a atenção das colegas de faculdade, e perguntas sobre como conseguir modelos iguais não tardaram a surgir.

Como também não demorou muito para que essa procura despertasse em Lita um desejo empreendedor. “Aí, de primeiro, comecei a vender algumas roupas minhas que eu não tinha usado ainda. Comecei a vender e vi que tinha muita saída.” Os tecidos também eram uma forma de conectar o povo negro brasileiro à cultura ancestral da África.

Na visão de Lita, “cearense gosta muito de cor, de estampa, e é um povo alegre. Nossos tecidos também são alegres, então é por isso que eu tentei trazer um pouco da nossa cultura.” Com essa assimilação, a lojista viu que não enfrentaria um choque cultural. Ainda assim, quis superar outras barreiras.

A começar, não haveria diferenciação de gênero na hora da venda.”O maior barato da nossa loja é que a gente não trabalha com gênero. A gente vende roupa. Pois temos clientes que compram vestidos e saias para usar, e são homens.”E Lita também enfatiza que, embora tenha foco no público negro, qualquer etnia é bem vinda em sua loja. 

“Eu sei o significado dessas roupas, mas eu também sei onde elas podem nos levar. Sem colocar restrições nas pessoas que podem usar ou nos clientes que podem comprar.” A Rmoda Africana já levou Lita a participar ativamente na feira Fuxico no Dragão e ser integrante da Rede Kilofé de Economia de Negras e Negros do Estado do Ceará.

Mas o ponto principal é a mudança de comportamento que as cores de seus tecidos podem melhorar na autoestima. “Em 2008, você não via tantas mulheres negras de cabelo cacheado ou cabelo crespo. Mas agora você encontra muitas mulheres negras usando nossos acessórios, como turbantes e brincos.” 

Com esse crescimento e reconhecimento, Lita pretende abrir uma segunda loja para atender a demanda. Não se cansa de agradecer ao Brasil pela receptividade do seu trabalho. O material do vestuário pode até ser chamado de tecido, pano ou kitengue. O resultado final é que é unificador. “A nossa roupa não é só uma roupa. Tem um significado muito importante para os povos negros que estão aqui.”

SERVIÇO

Endereço: Av. Mister Hull, 5650, Antônio Bezerra – Fortaleza/CE

Instagram: @rmodaafricana

Facebook: @Litastephany15

Telefone: (85) 9 8625-6676

Colaboradores

Jonathan Silva

Jonathan Silva

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Garoto diferentão do Bom Jardim, entrou no Jornalismo com a intenção de escrever sobre música, uma paixão herdada da mãe. Hoje usa essa ferramenta para escrever sobre o cotidiano, a cidade, pessoas especiais, artes, fatos marcantes e a luta nossa de cada dia pela dignidade. Se não fosse jornalista, com certeza seria um astro insano do rock.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

Gabriel Lage

Gabriel Lage

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Cearense, empresário, filmmaker e fotógrafo. Acadêmico de audiovisual pela Unifor. Fã de Star Wars e dos anos 80.

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