Vós

menu
Feira Massa

A Feira Massa chega ao Pirambu, o Pira!

Por Sheyla Castelo Branco

Acredita em Vós

05.mai
2017

Em sua 7° edição a Feira Massa chega ao Pirambu, que é sinônimo de “charanga”, futebol, brisa leve e muita brincadeira na calçada. Fomos recebidos com café e tapioca no bairro que leva o nome de um peixe e que fica bem próximo ao marco zero da cidade, bem ali, ao lado da  Barra do Ceará. Entre uma conversa e outra, descobrimos que o “Pira”, como é comumente chamado pelos moradores, é uma junção do finalzinho do Jacarecanga, Nossa Senhora das Graças, Cristo Redentor, Goiabeiras, Colônia, Quatro Varas e um pedacinho da Barra.

Para entender o bairro é preciso chegar mais perto, entrar nas vilas e nas casas e assim, quem sabe, perceber outras Fortalezas, deslocando nosso ponto de vista e criando vistas de outros pontos. É preciso lembrar que muitos dos primeiros moradores do bairro eram retirantes da seca de 1932 e que mais tarde seriam uma grande parte da mão de obra da capital, que se encontrava em pleno processo de desenvolvimento. A partir dessa realidade podemos compreender a dinâmica de crescimento do Pirambu dentro de uma cidade tão diversa como a nossa.

Ao adentrar o “Pira” é perceptível, entra tantas outras coisas, o gosto e a admiração dos moradores pelo futebol. Todos se envolvem e participam da festa que acontece próximo à areninha, a famosa “charanga”, um pagode em que a regra principal é a diversão. Logo adiante tem o mar, que concentra a maior área de lazer do bairro, com um calçadão e uma vista privilegiada dos contrastes de uma Fortaleza entre prédios e casas.

Olhando de cima do calçadão da Vila do Mar, meninos correm e jogam bola na beira da praia, enquanto os pescadores saem para mais uma aventura no mar. Do lado de dentro tem a cerveja gelada, o aconchego dos vizinhos… mas também a disputa por territórios. Conversando com dois jovens do bairro percebi que morar no Pirambu é resistir para existir. São muitas histórias que se entrelaçam dentro desse espaço. O “Pira” que olha para o mar e se banha na água salgada todos os dias, por vezes, sente uma cidade que está de costas para si.

 

Um desafio geral, portanto, deve ser voltar o olhar para dentro e dispor de macro lentes nesse processo de desvendar uma história completa, que é da dona Maria e do seu João, que um dia foram retirantes, e hoje fazem parte, tanto quanto nós, dessa Fortaleza de contrastes e belezas.

Colaboradores

Sheyla Castelo Branco

Sheyla Castelo Branco

Ver Perfil

Sheyla Castelo Branco gosta das miudezas, fotógrafa para sentir com mais calma a delicadeza dos instantes , e acredita na vida enquanto possibilidade. É jornalista e se realiza ao contar histórias, precisa sentir a vida na calçada da dona Maria ou no meio do morro de sua cidade. Vive uma verdadeira relação de amor com sua cidade, "Eu não moro em Fortaleza, eu namoro Fortaleza".

Comentários

Quer conhecer mais histórias como esta?


Cadastre seu email abaixo para receber matérias, novidades, eventos, e outras informações na sua caixa de email.

fechar