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Histórias

Histórias que vêm do Leste

Por Luiza Carolina Figueiredo
14.out
2016

O Costa Leste Convention & Visitors Bureau e a Casablanca Turismo convidaram Vós para um famtrip pela costa leste do Ceará. Fomos de Fortaleza a Beberibe visitar terras e ouvir histórias da nossa gente. Histórias que vêm do leste. Confira!

Para divulgar a Prainha

Falou em Aquiraz, lembrou de Beach Park. Mas a primeira capital do Siará Grande guarda muito mais histórias do que um parque aquático consegue abarcar. Ali, bem do lado do Porto das Dunas, estão a Praia do Japão e a Prainha. E, bem no meio, a Barraca Cozinha da Danny, canto bom pra dar uma parada, comer algum fruto do mar e se preparar para um dos tradicionais passeios de buggy.

Quem atende os aventureiros de areia é a Alba, do Alba Turismo Buggy Tur, mas quem leva pra passear são os bugueiros, como Regivaldo Sousa. “Sempre trabalhei aqui na praia. Primeiro de garçom, vigia, guia e, agora, depois da regulamentação da prefeitura, como bugueiro”.

A profissão é a considerada de melhor renda da localidade. “Sem contar que é um trabalho bonito, porque a gente trabalha e se diverte ao mesmo tempo, pelo contato com as pessoas e com a natureza. E divulga a Prainha! Trazemos o pessoal pro passeio de buggy e eles consomem em praticamente todas as áreas: com as rendeiras, restaurantes, jangada. Então, nós ajudamos todas as classes”.

E do que o Regivaldo mais gosta na profissão? “Contar a história daqui e fazer o passeio. Ah! E bater foto! A gente faz um monte de montagem bacana”. Todos os bugueiros brincam de composição fotográfica. Assim surgem cocos e caranguejos gigantes e pessoas em miniaturas. É o “photoshop natural”, como eles dizem. “É legal também quando vem o turista e ensina novos tipos de fotos pra gente”.

No tec-tec do bilro

É também em Aquiraz onde se encontra o Centro das Rendeiras. Por enquanto, o local está em manutenção, mas como brasileiro pra tudo dá um jeitinho, foi improvisado um lugar para a abrigar as artesãs da renda de bilro e labirinto.

Junto do vaqueiro e do jangadeiro, a rendeira é uma das figuras mais tradicionais da cultura cearense. Munidos de sua almofada, linhas e espinhos de mandacaru, os bilros vão dançando de mão em mão, ao som do tec-tec, enquanto formam os mais incríveis desenhos em roupas, bolsas e toalhas.

Dona Maria Caetana da Cunha é uma delas. Com 66 anos, faz renda desde os 10, idade em que aprendeu o ofício com a mãe. De todos os trabalhos, prefere fazer as toalhinhas de mesa, seja ela branca ou colorida. “Gosto muito de cor. Agora tô fazendo uma linda, azul”.

O trabalho é demorado, mas é o que ela gosta de fazer. “Pena é que as meninas não querem mais aprender”. Mas dona Maria não se abate e diz que, enquanto der, e a “vista aguentar” vai continuar fazendo renda. E reproduzir o tec-tec da música artesanal.

“Sou uma índia apaixonada / Apaixonada por minha terra”

São com esses versos que Maria de Lourdes da Conceição Alves, mais conhecida como Cacique Pequena, prende a atenção de quem passa para conhecer a aldeia da tribo Jenipapo-Kanindé, nos arredores da Lagoa da Encantada. “Nós somos filhos nativos da terra. A sétima geração! E tenho muito orgulho de ter essa herança dos meus pais”.

Pequena é a primeira cacique mulher do Ceará. Virou cacique porque, desde muito cedo, começou a lutar pela causa indígena. “Antigamente, a gente não era reconhecido como índio, mas como ‘os cabeludim da Encantada’. Comecei essa luta, na década de 1980, para que os índios defendessem eles mesmos. Porque eles dormiam no tempo. Foi aí que levantei a bandeira e disse que ia trabalhar por esse povo”.

Onze anos depois vieram os pedidos para que ela assumisse o cacicado que, à priori, foi recusado. “Não sabia o que era ser cacique. Eu era uma simples mãe. Eles insistiram muito e aceitei. E hoje, com a força do pai Tupã e da mãe Tamaí, cheguei onde cheguei”.

A mais de duas décadas à frente da tribo, Pequena fala com segurança o papel de uma cacique: “é ser como um prefeito, um governante da tribo. É juntar de fora para dentro da aldeia, pra ajudar o povo. Foi o que fiz”.

Não é à toa que hoje tem Escola Indígena, Museu Indígena, Pousada Indígena, Cras Indígena (Centro de Referência da Assistência Social) e Posto de Saúde Indígena. “Energia e água nas casas, casa de farinha, galpão e cantina. Tudo isso através dessa mulher que tá aqui na sua frente e na desse povo todo. Eu era uma simples cacique e agora sou Guardiã da Memória, Mestre da Cultura e vou receber o meu certificado de Doutora da Mata”.

O paraíso do kitesurf

É chegada a hora de sair de Aquiraz e seguir rumo a Uruaú, Beberibe. Lá, o céu, além do azul, é composto pelas várias cores de pipas. Não aquelas de papel de seda, mas de um material resistente, tipo para-quedas, forte o bastante para suspender uma pessoa apenas com a força dos ventos.

“O Ceará, no mundo do kitesurf, é um paraíso. É o melhor lugar para praticar o esporte, porque tem mais de 500 km de costa, ventos constantes – de julho a fevereiro – e a água do mar é quente, com temperatura sempre agradável. Então, todos querem fazer kite aqui”.

A afirmação é de Gigi Romano, italiano apaixonado pelo kitesurf que largou tudo para viver do esporte. “Trabalhava, na Itália, com outro negócio. Um bar. Conheci o kitesurf nas Ilhas Canárias. Vendi meu bar, voltei pra lá e montei uma escola de atividades. Em 2007, vim pra cá. Na época, não tinha muito praticante, mas agora vem turista o ano todo”.

Agosto e dezembro é a temporada dos italianos, por conta das férias. Já setembro, outubro e novembro há uma maior variação entre os turistas: “vem gente da Suíça, Alemanha, França. Até Noruega! Alguns americanos e também o turista brasileiro, do sul. Já o cearense vem aqui sempre, no fim de semana”.

Gigi conta que o que mais gosta em Uruaú é “da tranquilidade da natureza e da segurança do lugar, que é diferente das cidades grandes”. Ele administra e organiza a ProKiteBrasil, lojinha e escola de kitesurf. Devido ao ritmo sossegado de trabalho, dá até pra separar uma ou duas horas por dia para velejar. O que mais se poderia querer da vida?

Serviço

ProKiteBrasil
Rua da Praia, 1 – Uruaù
prokitebrasil.com
info@prokitebrasil.com

Dicas de hospedagem

Hotel Laguna Blu
R. Damião Taváres de Souza, 902 – Prainha, Aquiraz
(85) 3361.5543
lagunablu.com.br

Lara Hotel
Rua Joana Maria da Conceição, 1743 – Prainha, Aquiraz
(85) 3113.1229
larahotel.com.br

Coliseum Beach Resort
Avenida Manoel Machado – Praia das Fontes, Beberibe
(85) 3327.3430
coliseumhotel.com.br

Hotel Boutique Zebra Beach
Rua da Praia, s/n – Praia do Uruarú, Beberibe
(85) 999.984.537
hotelboutiquezebrabeach.com

Hotel Jangadeiro
Estrada do Iguape – Praia do Presídio, Aquiraz
(85) 3361.6039
hoteljangadeiro.com.br

Colaboradores

Luiza Carolina Figueiredo

Luiza Carolina Figueiredo

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Apesar de jornalista, sonha com ficção e, por isso, fica animada em ouvir os causos dos outros - quem sabe não tira inspiração para um futuro romance? Acredita que, se escrever de tudo um pouco, um dia vai conseguir a história que realmente quer. Leitora compulsiva, está sempre com um livro ou HQ nas mãos (ou na bolsa). É meio tímida, mas tem um bichinho tagarela dentro dela que, quando começa a falar, quase não para. E se a conversa for geek, então...

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