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Plural

Ocupar é caminhar para uma cidade menos desigual

Com Glória Diógenes Por Marcela Benevides, Igor de Melo
13.set
2018

A história de Glória Diógenes nas Ciências Sociais começa na época do Regime Militar brasileiro. Ela estava prestes a entrar na universidade, mas ainda não sabia o que escolheria como profissão. Dentre as opções, queria ser como um primo, que vez por outra estava em sua casa. Apesar de não saber o que ele fazia, acreditava que qualquer que fosse a sua profissão, era “a coisa mais legal” que poderia existir: ele vivia com livros e discos embaixo do braço. Descobriu que ele era sociólogo e decidiu que seguiria os seus passos.

Quando contou ao pai, militar, que faria Ciências Sociais, ele disse que ela não teria uma profissão e tentou mudar sua cabeça dizendo que escolher a área da Sociologia não resolveria nada e que ela só viveria de denunciar o sistema, nada mais. Mesmo com as objeções paternas, decidiu prestar vestibular e passou em primeiro lugar. “Naquela época, fazer Ciências Sociais não significava nada, não era nem considerado profissão. Passei em primeiríssimo lugar na UFC, até porque não tinha como não ser, já que ninguém queria.”

Ao longo do curso, Glória foi se aproximando das questões urbanas e da desigualdade social na cidade. Estudou sobre os movimentos urbanos e sobre as manifestações por meio das pichações e grafites espalhados pela cidade. Ela acredita que tais marcas são uma das formas que a sociedade tem de expressar o que quer e o que acredita. Segura ao defender o que pensa, Glória explica que Fortaleza é uma sociedade desigual não só economicamente, mas também na área urbana, e que isso reflete na forma de agir das pessoas.

“Se você pegar a história do surgimento de Fortaleza, diferente de outras cidades, ela não nasce em uma feira, por exemplo. Ela surge diante de um forte, ou seja, é um local onde as pessoas vislumbram a segurança e temem pela falta dela. E isso é o começo da segregação social. A cidade ainda é dividida e as pessoas temem o diferente, não conseguem enxergar como algo bom, e por isso desocupam os espaços urbanos.”

Ao refletir sobre Fortaleza, Glória observa a Praia do Futuro como referência dessa divisão urbana. “Tem o lugar para descer do ônibus, as barracas de praia parecem shoppings e os prédios ficam mais afastados. É um exemplo de como isso já está enraizado na cultura do fortalezense, e como aqui as pessoas preferem não se misturar.”

Para ela, a ocupação dos espaços urbanos pela população é uma das formas de diminuir a segregação e caminhar para uma cidade menos desigual e mais plural. “O desenvolvimento urbano deve ser pensado para além de viadutos e extensões de vias. Quem faz a cidade são as pessoas, e elas devem ser priorizadas. O que elas querem? O que elas precisam?” Glória defende o diálogo entre as pessoas e as políticas públicas, e reafirma a necessidade da sociedade (re)ocupar a cidade.

E é para trocar ideias e refletir sobre a importância dos movimentos urbanos como base de uma cidade mais aberta às diferenças que a socióloga estará na edição do Plural que dessa vez acontece na CASACOR Ceará 2018, entre os dias 13 de setembro a 23 de outubro.

Glória Diógenes é uma das três palestrantes do primeiro dia de Plural, 23 de setembro. Para conferir a programação completa, acesse as redes sociais de Vós e Plural. Para mais informações sobre a CASACOR Ceará 2018, confira as redes próprias do evento.

Serviço

A programação completa do Plural pode ser conferida nas nossas redes sociais:

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Colaboradores

Marcela Benevides

Marcela Benevides

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Ler e escrever são as duas coisas que mais a definem. Gosta de contar histórias sobre pessoas e lugares que inspiram a felicidade e a percepção de que a vida vai além das bolhas em que vivemos, e é na cidade que encontra a sua inspiração. Acredita que o jornalismo é um dos meios para promover a união entre culturas. Importante destacar: tem o sol em leão.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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