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Ordones, às suas ordens!

Com Ordones Por Lya Cardoso, Igor de Melo
29.ago
2018

Da churrasqueira de aro de fusca a um dos mais conhecidos restaurantes de Fortaleza. O jovem de Reriutaba chegou a cidade grande em 1974 e parece que o tempo o predestinou a começar com uma profissão completamente diferente para chegar até ao que ele amava fazer. Mas ele sentia que precisava começar de novo, do zero. A churrasqueira pequena, a garagem de casa e o espetinho de carneiro deram início a tudo. ”Eu pensei: por que carneiro vendia no interior e não na capital?”

Tímido, mas desenrolado, Ordones conseguiu extrapolar as fronteiras da Parquelândia, onde começou há 24 anos, e hoje tem outros pontos espalhados pela cidade, comandados pelos filhos. Numa pausa durante o trabalho em uma das sedes – ele marca presença todos os dias – Ordones conversou com Vós e contou um pouco mais sobre toda sua história.

Entrevista

Vós – Como foi o início de tudo?

Ordones – Eu trabalhava com táxi, passei doze anos sendo motorista e estava com vontade de sair. Como na cidade não tinha um restaurante especializado em carne de carneiro, me veio a ideia de trabalhar uma coisa mais segura. Eu sei que comecei aqui (Rua Azevedo Bolão, 571) no quartinho e na garagem dos carros, e com três meses tive que derrubar a casa, tive que aumentar o ponto e quanto mais eu abria espaço mais vinha gente à procura.

Vós – E você tinha algum conhecimento no ramo?

Ordones – Na minha família ninguém mexia com o ramo de restaurantes, mas eu sou do interior, de Reriutaba. Cheguei em Fortaleza em 15 de janeiro de 1974. E esse negócio de restaurante é típico do interior, lá tem muita gente que trabalha com isso.

Vós – E porque a escolha de se especializar em carne de carneiro?

Ordones –  Na realidade, quando comecei, o pessoal de Fortaleza não tinha o hábito de comer carne de caneiro. Aí comecei com um “pezinho” de restaurante, que, por sinal, no início não tinha nenhuma mesa para o cliente sentar, mas eu encarei mesmo assim porque tinha aquele pensamento de que “por que carneiro vendia tanto no interior e não vendia em Fortaleza?”

Vós – E a casa era a mesma que você morava?

Ordones –  Sim, foi aqui. Era a garagem da minha casa e se transformou em um restaurantezinho. Como era pequeno e estava vindo muita gente, eu tive que abrir mão da casa, derrubando os cômodos – o quarto, a sala e, depois de um tempo, finalmente tive que derrubar a casa inteira, era muita gente vindo. E foi assim que começou o Carneiro do Ordones, em 22 de julho de 1995.

Vós – E começou com o que, o que vendia?

Ordones – De início, eu só vendia carneiro. Comecei minhas vendas com aquelas churrasqueiras de aro de Fusca, vendendo espetinho. Mas começaram a vir pessoas, acompanhando outras, que não comiam carneiro. Aí eu fui mexendo com outras coisas, a parte bovina. Hoje meu cardápio tem tudo que você imaginar de comida.

Vós – Foi nessa época que você começou a abrir as outras sedes?

Ordones –  Assim, depois que derrubei a primeira casa, surgiu a oportunidade de comprar a casa vizinha e, mesmo com esse acréscimo, não foi o suficiente. Aí eu comprei a terceira casa, e ela era enorme. Hoje eu tenho uma área de 800 m² só de área de mesa. E tinha uma coisa: eu via a casa lotada e sentia a necessidade de mais espaço, não tinha como ser nesse prédio e eu comprei o da frente, montei como uma filial.

Vós – A família trabalha junto?

Ordones –  Sim. Hoje meus filhos têm até uma loja que leva meu nome, mas vende sanduíche, que é um ramo mais prático de ser trabalhado, não demanda tanto trabalho como em um restaurante. Não que a gente fuja do trabalho, é claro!

Vós – E durante todo esse tempo, enfrentou muitas dificuldades?

Ordones – Sim, são muitas. De concorrência, principalmente. Quando eu abri aqui não tinha nenhum restaurante no entorno, e depois de um tempo abriram uns 10 simultaneamente, mas meu trabalho superou. Tinha hora para abrir, mas não tinha hora pra fechar e durante 15 anos eu trabalhei 24 horas.

Vós – E acabou se tornando um dos nomes mais conhecidos da história de restaurantes na cidade. Como é que você se sente com isso?

Ordones – Ele é marcado na cultura do fortalezense, né? Isso que faz a gente trabalhar cada vez mais, eu me dedicar. Foi uma época muito boa, que realmente o mercado de carneiro não existia e eu entrei na época certa. O apoio da minha família foi primordial em tudo. E me deixa muito feliz saber que você é conhecido não só no Ceará, mas no Brasil todo.

Serviço

Carneiro do Ordones – O Pioneiro
Rua Azevedo Bolão, 571
(85) 3281- 5959
Funcionamento: Segunda a segunda a partir das 10 horas.

Carneiro do Ordones – Original
Rua Azevedo Bolão, 621
(85) 3048- 4550
Funcionamento: Segunda a segunda a partir das 10 horas.

Butiquim do Ordones
Rua Azevedo Bolão, 570
(85) 3055- 5506
Funcionamento: Segunda a segunda a partir das 10 horas.

Ordones Sandwish shop
– Avenida Jovita Feitosa, 279 – Parquelândia
(85) 3085- 6770

– Frei Mansueto, 1185 – Varjota
Funcionamento: Segunda a domingo a partir das 17 horas.

 

Colaboradores

Lya Cardoso

Lya Cardoso

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Organizar um evento é com ela, seja um aniversário ou um karaokê em sua casa. Acredita que a comunicação é a chave pra resolver vários problemas. Todo lugar tem uma história e merece ser contada. Libriana nata, está sempre em busca do equilíbrio.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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