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Histórias

Transformando a cultura com ousadia de criança

Com Elane Oliveira Por Jonathan Silva, Igor de Melo
27.dez
2018

Duas forças criativas rondam a inspiração da ilustradora e designer cearense Elane Oliveira: a cultura (em especial, nossa “cearensidade”) e a exposição natural das crianças para a arte. Enquanto a primeira surge da percepção dos mitos, histórias e personagens da nossa terra, a segunda vem do trabalho da artista com linguagem voltada ao universo infantil.

É fácil captar essa identidade no primeiro olhar de seus desenhos: traços cartunescos, influências de desenho animado e variedade de cores mais alegres são características visíveis. “Nada muito realista”, como ela admite. Livros e referências infantis são uma constante na carreira de Elane, que atua há 17 anos como ilustradora. “Eu gosto muito de trabalhar com essa história do mundo infantil, das suas formas e cores, e é isso que eu tô trazendo.”

Essas intenções estão impressas em quase quarenta livros infantis publicados com suas ilustrações, maioria pela Secretaria da Educação do Ceará (SEDUC), através do projeto PAIC (Projeto de Alfabetização na Idade Certa). “Faz mais ou menos uns dez anos que estou ilustrando para SEDUC. Os livros são distribuídos nas escolas e trabalhados durante todo o ano com as crianças, desenvolvendo peças e uma série de trabalhos que a SEDUC desenvolve com elas.” As publicações fazem parte da coleção PAIC Prosa e Poesia, uma coletânea de livros infantis desenvolvidos para a alfabetização de crianças e incentivo à leitura.

Elane foi uma das artistas selecionadas para o Jegue Parêidi, evento de arte e ação social do Sistema Jangadeiro que reuniu, no último dia 14, sete artistas cearenses para dar cor à esculturas de jegues – algo feito no melhor estilo Cow Parade, exposição de arte pública realizado mundialmente. Como diferencial, na edição “Jegue” o que vale é aliar criatividade com cearensidade, com orientação especial das crianças do Lar de Clara, instituição filantrópica de Caucaia.

Graças a sua experiência em ilustrar histórias, Elane não encontrou dificuldade em complementar a verve artística dos pequenos. De avaliação positiva a fazer sobre o Jegue Parêidi, trocar experiências com um público menor traz reflexos na percepção sobre o próprio trabalho. “Temos uma oportunidade de trabalhar uma coisa que a criança tem de muito natural, que é essa desenvoltura de pintar e de usar as cores sem medo. Ela não tem medo de ousar. Isso, para a gente que trabalha com arte, às vezes com o tempo vamos perdendo.”

Tão importante quanto usufruir dessa fonte primal de inspiração, reconhecer potenciais e guiar o melhor caminho é uma orientação que pode gerar retornos positivos: “Nós [ilustradores], que temos o olhar mais apurado pra coisa, temos esse momento de pegar a coisa bem jogada da criança e ver possibilidades, trabalhar um pouco mais e trazer conceitos que, talvez, pra ela ainda não está estabelecido, mas para nós que temos um pouco mais de carreira conseguimos perceber.”

Outra cooperação entre Elane e as crianças é o resgate das raízes culturais para estampar nas pinturas, comum para muitos artistas mais experientes e regionalistas, mas ainda desfocado na cabeça de pessoas que desconhecem o retrato da história do Nordeste nas artes plásticas. “As crianças tem que ter esse contato de uma forma bem exagerada mesmo em quantidade. Isso vai fazer com que no futuro ela se identifique com a própria cultura e se identifique enquanto nordestina e como cearense. Que ela veja tudo isso como algo rico que faz parte da cultura e do lar dela.”

Para os espectadores que olharem o resultado final, duas características que Elane julga ser as principais estarão presentes: cultura e trabalho pessoal. O universo infantil, a pedagogia da arte e a preocupação em ser regional estão nas pequenas esculturas de jeguinhos. Uma ação de transformação da cultura sem perder a cultura, como ela modestamente define.

Colaboradores

Jonathan Silva

Jonathan Silva

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Garoto diferentão do Bom Jardim, entrou no Jornalismo com a intenção de escrever sobre música, uma paixão herdada da mãe. Hoje usa essa ferramenta para escrever sobre o cotidiano, a cidade, pessoas especiais, artes, fatos marcantes e a luta nossa de cada dia pela dignidade. Se não fosse jornalista, com certeza seria um astro insano do rock.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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