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[Patrimônios Históricos] - Conheça o Palácio da Luz, no Centro de Fortaleza

Por Leila Nobre, Igor de Melo, Michele Boroh

Acredita em Vós

16.jun
2016

Construído com o auxilio de mão-de-obra indígena, o Palácio da Luz serviu inicialmente de residência ao capitão-mor Antônio de Castro Viana. Pertenceu posteriormente à Câmara Municipal, sendo depois vendido ao Estado para abrigar o Governo, pela Provisão Régia de 27 de julho de 1814.

Edificação do século XIX, o Palácio é um polígono com frentes para a rua Sena Madureira, Praça General Tibúrcio e Rua do Rosário e fundos para a rua Guilherme Rocha.

A parte oriental do edifício, onde funcionava o gabinete do Presidente, é de um andar em consequência da depressão do terreno, e a parte ocidental, que é térrea, era destinada à Secretaria do Interior. O lado sul da edificação era ocupado pela residência dos Presidentes do Estado.

Ainda na primeira metade do século XIX, a edificação passou por várias transformações. Em 1839, foram realizados alguns acréscimos que levaram a edificação até a rua de baixo, atual Rua Sena Madureira. Em 1847, o Presidente Ignácio Correia de Vasconcelos, construiu uma muralha de 384 palmos de extensão para sustentar o aterro do largo do palácio (a conhecida Praça dos Leões). Com essa medida, o largo se transformou numa espécie de passeio público, pois foram levantados pilares na referida muralha, guarnecendo-a de assentos e gradaria de ferro e no centro uma escadaria para dar passagem para a rua de baixo.

O Palácio foi construído de acordo com a técnica tradicional de tijolo e madeira, utilizando-se material da região. Devido às inúmeras alterações sofridas ao longo do tempo, não é possível defini-lo dentro de um movimento arquitetônico específico. A edificação destaca-se por seu valor histórico e por ser parte integrante do conjunto urbano que compreende a antiga Assembleia Provincial (Hoje Museu do Ceará), a Igreja do Rosário (construída em taipa em 1730) e a Praça General Tibúrcio.

Em 1856, foram feitos serviços nas salas da frente do edifício, a reconstrução do terraço, os jardins e aterros do quintal. Em 1892, o prédio foi gravemente danificado por uma bala de canhão de 11 quilos, utilizada no bombardeio quando da deposição do presidente Clarindo de Queiroz pelos cadetes da Escola Militar. Naquele mesmo ano, foram feitos novos reparos no edifício, mandando-se substituir os beirais do telhado pelas platibandas que permanecem até hoje.

Interessante salientar que o nome ‘Palácio da Luz’, foi uma sugestão do Jornal ‘O Nordeste’ em 10 de outubro de 1929 ao Presidente Matos Peixoto que passou a chamar assim o então Palácio do Governo do Ceará.

Em 02 de fevereiro de 1960, nas administrações do Prefeito Manuel Cordeiro Neto e do governador Parsifal Barroso, é iniciada a derrubada de parte do Palácio da Luz (do Governo do Estado), para dar lugar ao prosseguimento da Rua Guilherme Rocha, até a Rua Sena Madureira. Segundo o memorialista Nirez, essa ação foi um despropósito e quase um século e meio de história foram destruídos para nada, já que o intuito era dar fluxo aos carros que circulavam pela Rua Guilherme Rocha e a rua seria aberta até unir com a Avenida Santos Dumont. Como sabemos, na Guilherme Rocha, há muito tempo não circulam carros. Instala-se no Palácio da Luz, em 29 de dezembro de 1966, sob a presidência do general Raimundo Teles Pinheiro, a Companhia de Desenvolvimento Agronômico e Pecuário do Ceará.

No dia 1º de março de 1975, no governo Cesar Cals, o antigo Palácio da Luz, depois de vários usos, foi transformado na Casa de Cultura Raimundo Cela, ficando sob a direção do museólogo Henrique Barroso.

O Palácio foi, por 162 anos (1808-1960), a sede do Governo do Ceará. Nesse majestoso prédio, construído na época do Brasil Colônia, passaram mais de 100 governantes e seus familiares, os quais presenciaram os momentos supremos da história de nosso estado. Como disse Gustavo Barroso: “Ele por si só representa uma peregrinação ao passado”.

Em 1989, o então presidente da Academia Cearense de Letras (a mais antiga instituição do gênero no país, fundada a 15 de agosto de 1894), acadêmico Cláudio Martins, conseguiu do governador Tasso Jereissati o Palácio da Luz para ser a sede da Academia.

O palácio foi tombado duas vezes. A primeira, pelo Tombo Estadual segundo a lei n° 9.109 de 30 de julho de 1968, através do decreto n° 16.237 de 30 de novembro de 1983. A segunda, através do decreto nº 15.631 de 23 de novembro de 1992.

Em 2014, o Palácio da Luz, com mais de dois séculos de existência, realizou solenidade pela passagem dos 120 anos da nossa Academia Cearense de Letras. Sem dúvida, um palácio de muitas histórias!

Colaboradores

Leila Nobre

Leila Nobre

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Leila Nobre é pesquisadora Memorialista. Idealizou e mantêm o site Fortaleza Nobre, onde procura resgatar a Fortaleza antiga, em suas ruas, praças, praias, monumentos. É casada e mãe de três meninas. Ama ler e escrever.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

Michele Boroh

Michele Boroh

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Nasceu no Dia do Jornalista. Aos 9 criou o Jornal dos Amigos do Prédio, em folha de caderno e à base de canetinha. Agora, aos 31 e após 8 em TV, é coordenadora de conteúdo e colunista de VÓS, com a mesma paixão da infância. É também cronista no Tribuna do Ceará, viciada em livro, cavaquinista de churrasco e mãe de um Bull Terrier. Ariana, de sol e lua.

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