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[Patrimônios Históricos] - Um pouco de história sobre nossa joia maior, o TJA

Por Leila Nobre, Gabriel Gonçalves

Acredita em Vós

03.ago
2016

Um dos maiores símbolos da cultura cearense, o nosso “Theatro” preserva no nome, a grafia de outrora. Tão grandiosa quanto a curadoria das apresentações que entram em cartaz no José de Alencar, é a sua estrutura. O nome é uma homenagem a um dos maiores escritores do Ceará.

Na segunda metade do século XIX passou-se a reivindicar das autoridades um teatro oficial para Fortaleza, visto que as nossas casas de espetáculos tinha existência efêmera. A atividade teatral era movida por grupos amadores.

Em 1894, ocorre o lançamento da pedra fundamental pelo presidente do Estado Coronel Bezerril Fontenele, que fincou sua fundação no centro da Praça do Patrocínio (posteriormente Praça Marquês do Herval e hoje Praça José de Alencar). O primeiro projeto foi de lssac Amaral e Roberto GO Bleasby e deveria ser construído sobre os alicerces de uma antiga obra que deveria ter sido um mercado a qual havia sido abandonada.

Em 1904, no Governo de Nogueira Acióli, foi oficialmente autorizado à construção do Theatro José de Alencar, onde 2 anos depois, em 06 de outubro de 1908, tiveram início às obras, quando a bela estrutura metálica, importada da Escócia, já se apresentava exposta em praça pública depois de cruzar o Oceano Atlântico. A direção da obra ficou a cargo de Raimundo Borges Filho, oficial do Exército. A execução coube a Walter Mac Farlanes & Co e Serrancen Fondri, de Glascow, Escócia. A estrutura metálica deveria ter fachada em estilos Art Nouveau e coríntio, segundo os padrões dos chamados “teatros-jardins”.

A festa de inauguração aconteceu numa linda sexta-feira, dia 17 de junho de 1910, com direito a Concerto apresentado pela Banda Sinfônica do Batalhão de Segurança, sob a regência dos nossos Maestros Henrique Jorge e Luigi Maria Smido, discurso anunciado por Júlio César da Fonseca (orador oficial do Instituto do Ceará), apresentações culturais e show pirotécnico como morteiros, foguetes, rodas de fogo e girândolas num milagre pirotécnico que abrilhantavam a festa.

O primeiro grande espetáculo foi apresentado no dia 23 de setembro de 1910, pela Companhia Dramática Lucile Perez, com a peça “O Dote”, de Artur Azevedo. O público lotou o teatro e os artistas foram muito aplaudidos.

O jardim do Theatro ocupa todo o espaço vizinho em área que já sediou o Quartel de Cavalaria de Fortaleza e um Centro de Saúde, demolido em 1973.

A estrutura possui duas fachadas: a primeira em estilo eclético, mas com predominância do neoclássico, e a outra em Art Nouveau, que chama atenção pelos belos vitrais coloridos. Na boca de cena, acima das cortinas, estão pintados personagens de José de Alencar. Outros dois prédios em anexo (incorporado na reforma realizada nos anos 90), fazem parte da estrutura do Theatro José de Alencar.

No primeiro bloco, temos a sala do foyer com capacidade para 120 pessoas, no segundo, a grandiosa sala de espetáculos propriamente dita apta a receber 800 pessoas, uma sala de aula transformada em espaço cênico, com capacidade para até 120 pessoas, a Sala de Teatro Nadir Papi Saboya, um palco a céu aberto, com capacidade para até 1,2 mil pessoas, um teatro de bolso com 90 lugares, o Teatro Morro do Ouro e um palco a céu aberto, com capacidade para até 350 pessoas, além da Praça Mestre Pedro Boca Rica.

O corpo da sala de espetáculos é todo de aço e ferro fundido, com três pavimentos além do térreo, onde ficam a plateia, as frisas, camarotes, torrinhas, balcão e elegantes escadarias. Em seu interior, encontram-se raras pinturas do cearense Ramos Cotoco (pintou os nomes das obras de José de Alencar sobre as grades das frisas e as figuras femininas no teto da sala de espetáculos), do pernambucano Jacinto Matos (pintou os florões no forro da sala de espetáculos), da artista paraense Paula Barros (pintou os retratos de Carlos Gomes e de José de Alencar, além da representação das três artes – pintura, música e drama – na cúpula oval da sala de espetáculos), do carioca Rodolfo Amoedo, que foi aluno de Victor Meireles e professor de Portinari (pintou a moldura circular, acima do Pano de Boca), de João Vicente (pintou as imitações de mármore nas paredes da Boca de Cena) e do cearense Gustavo Barroso, escritor e historiador, que auxiliou o arquiteto mineiro Herculano Ramos na pintura do 1º Pano de Boca, representando o encontro de Iracema com o Guerreiro Branco.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1987, o Theatro José de Alencar passou por algumas reformas no decorrer dos anos como instalações elétricas, piso de betume, ladrilhos hidráulicos. As cadeiras com assentos de palhinha são substituídas por poltronas de estofamento plástico, havendo também a recomposição do jardim.

Vinte e dois anos depois da última reforma (que começou em 1989, durando dois anos), o Theatro, que por falta de manutenção se encontrava com a estrutura enferrujada, piso desgastado e portas e janelas quebradas, teve toda a pintura recuperada, incluindo também alvenaria, estruturas de ferro, revestimentos, pisos, portas, janelas, revisão elétrica e hidrossanitária, requalificação dos jardins e do sistema de prevenção de incêndio.

Por ser considerado um importante Monumento Nacional, o teatro recebeu tombamento federal ainda em 1964.

O Theatro José de Alencar funciona de terça a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 17h. Sábados e domingos, das 13h às 17h.

Colaboradores

Leila Nobre

Leila Nobre

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Leila Nobre é pesquisadora Memorialista. Idealizou e mantêm o site Fortaleza Nobre, onde procura resgatar a Fortaleza antiga, em suas ruas, praças, praias, monumentos. É casada e mãe de três meninas. Ama ler e escrever.

Gabriel Gonçalves

Gabriel Gonçalves

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É fotojornalista desde 2008, tendo passado pelos três maiores jornais de Fortaleza. Trabalha com cinema, tenta ser músico, e à noite é facilmente encontrado servindo cerveja em alguns vários bares da capital alencarina. Atualmente atua como freelancer e em parceria com coletivos de produção audiovisual, ONG's, e entidades de direitos humanos. Acredita que a fotografia é meio e fim para a revolução social.

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