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Guia

Por um passado presente, um guia dos museus cearenses

Por Marcela Benevides, Igor de Melo
10.abr
2019

As musas, na mitologia grega, são as filhas da deusa Mnemosine, aquela que preserva a memória do esquecimento. Elas habitavam o Mouseion, lugar de inspiração divina e que estimulava a criatividade dos intelectuais. A história narra que a deusa Mnemosine dava aos poetas o poder de voltar ao passado para lembrá-los da coletividade. O primeiro lugar a receber a denominação de mouseion – no português, museu – foi a Biblioteca de Alexandria, antes de ser queimada.

Séculos mais tarde, museu passou a ser considerado um espaço de preservação científica, e só em 1793, na França, com a criação do Museu do Louvre, é que os antigos templos das musas passaram a ser vistos como um espaço de preservação da memória e de propagação da cultura.

No Brasil, o primeiro lugar para preservação da memória foi construído em 1862 em Pernambuco. Já nas terras alencarinas, o primeiro museu registrado foi o Museu Provincial, pertencente ao médico Joaquim Antônio Alves, e funcionou de 1875 até 1885. O histórico Museu do Ceará só surgiu em 1932.

A cultura de conservação da história se propagou e os museus se espalharam pelas cidades cearenses. Do Museu do Ceará ao Museu do Humor, lugares para conhecer e se aprofundar na história cearense não faltam, e os exemplos podem ser bem específicos e criativos. Vós foi conhecer um pouco mais de alguns desses templos de preservação da memória para que não deixemos cair no esquecimento a importância de (re)lembrar o passado.

Museu do Caju

Palavra de origem tupi que significa “noz que se produz”, o caju, na tradição oral, refere-se ao ano, já que os indígenas contavam a idade a cada floração e safra do pseudofruto. Tipicamente brasileiro, o caju é versátil. Dele extrai-se a castanha – seu verdadeiro fruto -, pode virar suco, doce, licor e, para além da agronomia: arte e história.

Dividido em dois bairros, um na capital alencarina e outro em Caucaia, o Museu do Caju ocupa uma parte do Conjunto Ceará e uma parte da Grande Jurema. A chácara tem uma área verde repleta de árvores centenárias e é lugar de história e preservação da cultura regional. Em 2017 se tornou patrimônio cultural do Ceará após ganhar o prêmio da Valorização da Identidade Cultural.

O museu foi idealizado em 1995, mas foi em 2007 que o pesquisador Gerson Linhares conseguiu consolidar o sonho. Ele explica que a proposta do museu é fugir do olhar agrônomo do caju  e expandir os múltiplos olhares que o pseudofruto proporciona. “O caju também é dança, artesanato, cordel, artes plástica, xilogravura e muito mais.”

No espaço, todas as peças artísticas são feitas por famílias do interior do Ceará que doam os objetos para exposição do “Meu caju, meu cajueiro”. Com o museu, Gerson espera que os cearenses se apropriem da cultura do caju.

O Museu do Caju funciona de terça a sábado por meio de agendamento. Aos domingos o museu é aberto ao público e tem almoço com comidas regionais e à base de caju – este com necessidade de agendamento prévio.

Serviço

Museu do Caju
San Diego, 332 – Parque Guadalajara

Funcionamento: terça a sábado – 8h às 17h | Domingo – 9h às 16h

Entrada: R$ 5 ( Para almoçar no local o valor de entrada não é cobrado)

Telefone: (85) 3237.2687

Facebook: @museudocaju
Instagram: @museudocaju

 

Museu da Boneca de Pano

Foi com a mãe que a artesã Liduína Rodrigues aprendeu a fazer bonecas de pano. A princípio de forma bem rudimentar, mas aos poucos foi aprimorando o trabalho com o auxílio da máquina de costura que o marido ensinou a usar. A ideia de criar o Museu da Boneca de Pano surgiu em 2009, quando ela resolveu unir as duas paixões: o artesanato e a museologia.

As bonecas produzidas pela artesã são inspiradas nas memórias que carrega da mãe e dos frutos da própria imaginação. Liduína explica que a proposta do museu é resgatar o brincar e mostrar que a boneca vai além de um brinquedo. “A gente traz as nossas histórias em cada boneca, mas também mostra que elas têm uma história. Cada boneca tem um afeto e uma memória.”

O acervo tem mais de 400 peças e é composto pelo trabalho de diversos artesãos que “trazem a memória afetiva de cada boneca para o museu.” Liduína ainda ressalta que cada boneca tem o traço da pessoa que a cria, porque ela marca a história de cada um.

Serviço

Museu da Boneca de Pano
Joel Marques, 110

Funcionamento: quarta e sábado – 9h30 às 17h | Demais dias por meio de agendamento.

Entrada: R$ 5

Telefone: (85) 9.8631.3064

Facebook: @museudabonecadepano
Instagram: @museudabonecadepano

 

Museu da Escrita

Desde a arte rupestre até as formas mais modernas de expressar ideias, foi por meio da escrita que o homem passou a registrar sua história. E foi como forma de também guardar e repassar parte desse processo evolutivo, que José Luis – que desde menino “gostava de juntar cacareco”, moedas, selos, embalagens de cigarro, álbuns de figurinha – passou a se interessar por artigos relacionados a escrita como máquinas de escrever e tinteiros, que deram início a ideia de criar, ao lado da esposa, o Museu da Escrita.

O projeto é pessoal e o casal está sempre viajando para feiras de artesanato espalhados pelo mundo para construir as memórias do acervo. Ao todo o museu possui cerca de 2300 peças – que são contadas em conjunto -, dentre elas a maior coleção de lápis do Brasil com 3700 peças expostas.

O museu possui 16 salas que vão desde a representação do desenho rupestre a conjuntos de prensas para encardenação de livros, tinteiros, penas, máquinas de escrever, livros antigos, pergaminhos, objetos relacionados com a escrita em braile, documentos antigos, escrivaninhas e mais uma infinidade de objetos que nos levam a conhecer um pouco mais sobre a evolução da escrita no mundo.

O acervo é dedicado a mãe de José, que foi professora na década de 1950 e passou ao filho os ensinamentos sobre a importância da escrita e da leitura. O colecionador espera que com o museu ele possa incentivar e fazer com que as pessoas se sintam mais próximas da história da escrita.

Serviço

Museu da Escrita

Rua Dr. Walder Studart, 56,

Funcionamento: Segunda à sexta – 9h às 13h (Para visitação de grupos maiores de 15 pessoas é necessário fazer agendamento).

Entrada: R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia)

Telefone: (85) 3244.7729 / (85) 9.8695.3244

Facebook: @museuda.escrita.9
Instagram: @museudaescrita02

 

+Locais

Museu do Ceará
Rua São Paulo, 51

Funcionamento: terça a sábado – 9h às 17h

Entrada Gratuita

Museu da Cultura Cearense e Museu de Arte Contemporânea
R. Dragão do Mar, 81
Funcionamento: terça a sábado – 9h às 19h | Sábado e domingo – 14h às 21h
Telefone: (85) 3488-8621
Entrada Gratuita

Casa de José de Alencar
Av. Washington Soares, 6055
Funcionamento: segunda a sexta-feira – 8h às 17h | Sábado – 8h às 12h.
Entrada Gratuita

Museu do Automóvel do Ceará
R. Jorn. Cézar Magalhães, 70
Funcionamento: terça a domingo 9h às 12h | 14h às 17h.
Telefone: (85) 3273-3129

Museu da Fotografia
R. Frederico Borges, 545
Funcionamento: quarta a domingo – 12h às 17h
Telefone: (85) 3017-3661

Museu do Humor Cearense
Av. da Universidade, 2175 – Benfica
Funcionamento: terça a domingo – 13h às 19h
Telefone: (85) 3252-3741

Museu da Imagem e do Som
Av. Barão de Studart, 410
Funcionamento: terça a sábado – 9h às 18h

Telefone: (85) 3101-1207
Entrada Gratuita

Colaboradores

Marcela Benevides

Marcela Benevides

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Ler e escrever são as duas coisas que mais a definem. Gosta de contar histórias sobre pessoas e lugares que inspiram a felicidade e a percepção de que a vida vai além das bolhas em que vivemos, e é na cidade que encontra a sua inspiração. Acredita que o jornalismo é um dos meios para promover a união entre culturas. Importante destacar: tem o sol em leão.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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