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Histórias

Retratos minuciosos da expressão humana

Com Erik Égon Por Jonathan Silva, Igor de Melo
03.jan
2019

Na galeria do Instagram, mulheres em retratos diferenciados. Boquinha de peixe, cabelos caídos cobrindo metade do rosto, dentes à mostra. Variados também são os sentimentos expressos nas imagens. Poses que relatam timidez, ousadia, sensualidade e delicadeza. Mas não se tratam de fotos artísticas ou selfies. São ilustrações feitas em nanquim, guache e caneta esferográfica de autoria do cearense Erik Égon, um dos sete artistas convidados para o Jegue Parêidi 2018.

Tanto detalhismo nas expressões humanas é um norte no trabalho do ilustrador de 38 anos. “Quando olho o meu trabalho, tem um pouco de ambiente, de cenários e tá muito focado em retrato de rosto, principalmente da figura feminina.” Muito do que Erik expõe na internet tem a ver com mulheres. Na maioria dos trabalhos, o foco é apenas o rosto. “Sempre na busca do detalhe, da minúcia, daquilo que transmita algum tipo de sentimento e emoção.”

A inspiração não começa do zero. Cercado de referências fotográficas, Erik investiga imagens que possam acrescentar novas possibilidades na composição de suas obras. Uma foto que explore posição da luz, por exemplo, aciona sua investigação. “Eu meio que fico analisando o que me chamou a atenção naquela imagem e como eu posso trazer aquele tipo de impacto e reação em uma peça minha.” No seu processo criativo, a referência se mescla com a experimentação, uma adaptação das expressões humanas dentro do seu olhar.

Desde os 19 anos, Erik Égon divulga e vende suas ilustrações. Hoje, 19 anos depois, o artista já colaborou com revistas, fez web design, explorou diferentes materiais de desenho e deu uma força nas iniciativas dos amigos. “Eu sempre fui muito interessado em projeto pessoal daqueles que estavam próximos de mim, e aí eu sempre fico à disposição para tentar impulsionar e ajudar esse projeto sair do papel.“ Um desses projetos foi o Jegue Parêidi, do qual participou também a amiga e ilustradora Meg Banhos.

No dia 14 de dezembro de 2018, Erik e outros seis ilustradores cearenses realizaram um workshop com crianças atendidas pelo Lar de Clara, instituição filantrópica da Caucaia, que sediou o evento. ”Não sabia exatamente como ia ser o contato e como eu poderia ajudar na orientação e produção de material. Mas indo pra lá eu fui refletindo sobre e queria muito poder estimular as crianças a colocarem nas esculturas, no processo de pintura, um pouco do que queriam pra vida deles.”


* Fotos por Elane Oliveira

No instante em que ilustrador e aprendizes estiveram juntos, novas alternativas de captar as emoções foram estabelecidas. Com as vivências diferenciadas, cada um dos participantes se sentiu mais observador da própria realidade e da região onde vive. Inclusive Erik. “Muito embora a gente hoje esteja globalizado, não podemos perder o senso de si, da nossa identidade. O Jegue Parêidi tem esse ponto muito positivo de olhar para o que é da nossa cultura e deixar isso registrado e eternizado para as próximas gerações.”

As percepções dos artistas e crianças vão além da curta duração do workshop do Jegue Parêidi. “São peças que ficam, é uma experiência proporcionada tanto pelos artistas quanto para as crianças. Acho que fica o registro físico e tangível.” Em um mundo onde tudo se torna “rápido, acelerado e efêmero”, como questiona Erik, foi preciso apenas uma manhã de sábado para que uma manada de esculturas de jumentinhos servissem de moldura para o retrato do futuro.

Colaboradores

Jonathan Silva

Jonathan Silva

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Garoto diferentão do Bom Jardim, entrou no Jornalismo com a intenção de escrever sobre música, uma paixão herdada da mãe. Hoje usa essa ferramenta para escrever sobre o cotidiano, a cidade, pessoas especiais, artes, fatos marcantes e a luta nossa de cada dia pela dignidade. Se não fosse jornalista, com certeza seria um astro insano do rock.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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