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Histórias

Sebo O Geraldo: 50 anos, 100 mil livros e um bocado de histórias

Por Tadeu Marinho, Felipe Gomes, Gabriel Lage, Michele Boroh

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17.fev
2016

Descobrindo o sebo

Fazia o ensino médio, quando fui ao sebo O Geraldo pela primeira vez. Eu estudava no centro e precisava de uns livros mais abrangentes para as matérias cobradas com mais intensidade no vestibular do curso que eu decidira fazer. Dado o orçamento restrito de um estudante secundarista, resolvi conhecer a casa de livros usados mais famosa daquele bairro, que era perto do colégio. Não tinha o costume de frequentar sebos e confesso ter ido sem grandes esperanças. Mal poderia imaginar que seria a primeira de centenas de visitas àquele local – e tudo leva a crer que estas chegarão à casa dos milhares.

Geraldo, o próprio

O epônimo do sebo é um senhor tranquilo, o qual, neste ano, completa meio século de profissão. Já não faz mais a menor ideia de quantos livros vendeu nos últimos cinquenta anos. Curiosamente, não é um homem de letras; não tem maior conhecimento sobre os livros da casa. Stella, a gerente, é quem sabe mais sobre os livros que entram e saem da casa, sempre em grandes quantidades. E nem ela sabe tudo, nem há um cadastro para os livros. O sebo O Geraldo propicia, pois, a experiência típica do “garimpo”: ninguém sabe, ao certo, o que você poderá encontrar nos mais de cem mil livros, de todos os níveis, do acervo. Você pode começar o périplo na casa pela seção de literatura nacional e partir para os livros de Psicologia, Filosofia e História. Os cursos ligados à saúde também estão representados em seção específica, assim como a Sociologia e a Ciência Política. Há uma estante com várias biografias, próxima à seção de Direito e de Economia. Os autores cearenses contam com destaque especial em prateleiras apartadas. Enfim, de tudo se pode achar um pouco – às vezes, muito. Do livro comum, de baixo valor de mercado, à preciosidade bibliográfica, sempre com preços atraentes.

Passeio, sem precisar gastar

A visita ao sebo O Geraldo não vale a pena apenas para quem pretende fazer compras, como se pode pensar, num primeiro momento. Os livros usados, por trás da “frágil arquitetura aparente”, para dizer com Drummond, contam-nos (muitas) histórias. Ao folhear, aleatoriamente, alguns volumes do sebo, podemos ver o nome dos antigos donos, alguns famosos e distintos nas suas áreas de atuação. Podemos ver as anotações à margem das folhas e traçar um breve perfil psicológico do leitor, a partir disso. Podemos perceber a evolução da literatura mais consumida em cada época… De uma maneira geral, pode-se testemunhar o fluxo dos livros através das gerações e, através dele, perceber que um sebo revela e retrata um caractere que distingue os seres humanos das demais espécies: a capacidade de transmitir quantidades gigantescas de cultura, geração após geração. (Felipe Gomes)

Sebo O Geraldo

Rua 24 de Maio, 950 – Centro
(85) 3226-2557

Colaboradores

Tadeu Marinho

Tadeu Marinho

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Tadeu vai ser alto, não! Baixo, mas não muito. Vai nascer no Rio, mas vai viver no Ceará. Vai ser Inteligente mas nem tanto, deve ser mais esperto que inteligente. Vai se interessar por tudo, cinema, música, cozinha, arte, mar, fotografia, cachorros, pela vida. Vai ser criativo, comunicativo porém tímido, executor, curioso, vai gostar de novidades e de histórias, curtas de preferência. Vai ser objetivo e sem muitas formalidades, mas tem que ser educado pelo menos. Bastante sincero. Opa! Ficou de mais. Precisa ser livre, pelo menos pensar que é. Vai dirigir, fotografar, criar, escrever, editar, conceber e tudo mais que precisar fazer. Menos rimas.

Felipe Gomes

Felipe Gomes

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Desde 2013, por irresistível vocação, dedicado ao magistério do ensino superior, na área jurídica. Aprendiz de violinista completamente destituído de talento. Tem cacoetes de bibliófilo e é numismata amador.

Gabriel Lage

Gabriel Lage

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Cearense, empresario, filmmaker, fotógrafo. Acadêmico de audiovisual pela Unifor. Fã de Star Wars e dos anos 80.

Michele Boroh

Michele Boroh

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Nasceu no Dia do Jornalista. Aos 9 criou o Jornal dos Amigos do Prédio, em folha de caderno e à base de canetinha. Agora, aos 31 e após 8 em TV, é coordenadora de conteúdo e colunista de VÓS, com a mesma paixão da infância. É também cronista no Tribuna do Ceará, viciada em livro, cavaquinista de churrasco e mãe de um Bull Terrier. Ariana, de sol e lua.

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