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[Sou do Bairro] - Resumindo em 8 histórias, ser do Pirambu é isso aqui

Por Darlison Azevedo
18.jan
2018

Pirambu. Em tupi: peixe-roncador. No IBGE: 7ª maior favela do Brasil. No Wikipedia: “Um bairro classe média e classe média-baixa e está localizado na área litorânea da zona oeste da cidade.”

Para ajudar no esclarecimento técnico: o Pirambu, um dos maiores bairros de Fortaleza, sendo parte importante da história do desenvolvimento da cidade, está localizado na zona oeste, caminho e cenário para quem passa pela avenida Leste Oeste rumo ao Cumbuco, por exemplo. Meu bairro leva esse nome pela grande quantidade de sargo-de-beiço, um primo do peixe-roncador.

Impossível não falar do bairro sem dizer que nascemos juntinho com a história (do Brasil? Deixo a curiosidade…) de Fortaleza. Somos ponte entre a Barra do Ceará – onde temos o nosso Marco Zero – e o Mucuripe. O bairro começa a se expandir devagar, ou melhor, “na maciota”, como diríamos aqui.

O Pira (sim, é assim no dialeto) já marchou. O Pira já abrigou soldados da Segunda Guerra Mundial. O Pira já exportou quadros. O Pira esteve no Massafeira. Até o Wolverine já andou pelo Pirambu. Duvida? Então olha aqui: super.abril.com.br/super-heroi-wolverine-no-ceara/

Não sei se Wolverine teve o mesmo guia, mas deixa eu te mostrar, em 8 histórias, o que é ser do Pira.

1 – As emoções de Roberto e os domingos

O domingo é um clássico por si só no Pirambu. Tão clássico que já começa cedo. Indo comprar o pão no Zé Paulo, ou o Pastel da Zélia, ou voltando da balada, inclusive acordando em casa despreocupado, tu sempre vai ser acordado ao som de Roberto Carlos. Toca na sua casa, toca no vizinho, toca no vizinho do vizinho, toca na rua de trás, toca no Zé Paulo, toca em todo canto. Bom dia. O Pirambu inteiro escuta o in concert do Robertão.

2- Bater esse racha?

Futebol é sim uma religião aqui no Pira. Sagrado é a travinha. Sagrado é o racha no mei de rua. Sagrado é ser o time de fora e ir correr morro abaixo atrás da bola. Sagrado é arrancar o chaboque do dedo na pista. Sagrado é o clássico Camisa x Sem Camisa. Profano é não querer ir assistir. Profano é não gostar de ir pros jogos fora do Pirambu. Profano é não curtir o pagode da Charanga durante o trajeto até o jogo. Como toda religião, nós temos o nosso templo: o Parque Oeste.

De uns tempos pra cá, deram uma modernizada, quiseram chamar de Areninha Pirambu. “Cheiro mole”. Nosso templo é o Parque Oeste. Religião que é religião também tem santo. Nessa, vai por mim, Santa Inês Futebol Clube é o único que merece sua atenção. Profano é torcer pro Leão Azul F.C.

3- Mei de rua e as calçada

Já que falamos de religião, agora vamos falar de uma grande instituição: as calçada. As calçada é uma grande instituição no Pirambu. Não existe Pirambu sem o ato de sentar na calçada. Sem o ato de comer na calçada. Sem o ato de falar dos outro na calçada. Sem o ato de andar no meio da rua. Não tem nada mais. É só sentar na calçada e pronto.

4- Pras praia!

Refúgio. Lar. Mar. Água. Pagode. Tu chama como quiser. Mas é um dos itens mais importantes pra tirar o seu Dazarea Card (uma espécie de Green Card aqui do Pira): tu tens que ir pra praia. Não só isso. Tem que curtir a praia. Nada como um banho de mar. De preferência na praia da Leste, ou nos Poçim. Anote essa dica. Praia dos Poçim > Cancún.

5- Os barquim, a ponte e a Barra

Continuando na praia. Vou te dar outra dica agora: cruza a Barra do Ceará de barco. O ponto inicial é na praça Alberto. Colado com a ponte. O melhor da Barra do Ceará é o outro lado, como a gente costuma dizer. Atravessa que tu saberás.

6- Shopping Emaús

Outro grande clássico do Pira. Pirambuense que é pirambuense tem algum bregueço do Emaús em casa. O garimpo lá vale acordar no sábado de manhã e enfrentar uma fila. Discos, móveis, eletrônicos, roupa, brinquedos… Tudo encontramos no Emaús. Eu posso fazer um outro texto inteiro sobre as histórias que eu tenho com o Emaús. É ir pra ver.

7- Dominó!

Para continuar a leitura, peço que leia novamente o item 3. Agora sim. Conquiste mais alguns escores pra garantir o seu Dazarea Card jogando uma boa partida de dominó em qualquer esquina do Pirambu. E se essa esquina for a avenida Pasteur com rua Nossa Senhora das Graças e você ganhar do Roberto, pode ir lá em casa que eu mesmo imprimo seu cartão.

8- O fim do dia

O pôr do sol. Desculpa. Esse eu não tenho como descrever.

Colaboradores

Darlison Azevedo

Darlison Azevedo

Ver Perfil

Torcedor ortodoxo do Fortaleza Esporte Clube. Desde os tempos que desenhava nas areias da praia do Pirambu, sempre foi ambicioso por conhecer todas as vertentes do Design. Hoje entra em campo como centro-avante no marketing, ponta direita na fotografia e técnico quando o assunto é festa. No meio do caminho tinha umas pedras, mas decidiu que a partir de ontem todo dia é um bom dia para se brindar.

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