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Histórias

Uma bike e as lições que vão além do equilíbrio

Por Felipe Gomes, Igor de Melo

Acredita em Vós

24.ago
2017

De todas as coisas lúdicas e marcantes da infância, a bicicleta é, sem dúvidas, uma das mais especiais. A primeira bike é inesquecível, seja como um presente de aniversário dado pelos pais, tios ou avós, ou aquela surpresa de natal deixada embaixo da cama pelo bom velhinho. O contato com o pai ou com a mãe ainda na fase do aprendizado, em que se consegue ficar estável sobre rodas pela primeira vez, também é um momento único.

Com ou sem rodinhas de apoio, o equilíbrio vem com o tempo, sustentado pela relação de confiança que se estabelece ali. Nasce também, nesse momento, um pequeno cidadão que precisa se preocupar consigo e com o próximo. A bike ainda pode ser uma maneira de incorporar a prática esportiva na vida dos pequenos, deixando a saúde em dia. Essas e outras lições – assim como andar de bicicleta -, quando uma vez apreendidas, não se esquecem jamais.

Como se já não bastassem todas essas lições, desde o dia 2 de julho as crianças de Fortaleza também estão aprendendo a compartilhar. É que o sistema de bicicletas compartilhadas, o Bicicletar, que desde 2014 vem mudando a forma que o fortalezense se relaciona com a cidade e se locomove por ela, ganhou uma versão para os pequenos: o Mini Bicicletar.

Com cinco estações espalhadas por diversos pontos da cidade, o projeto segue o mesmo mecanismo de inscrição e uso da versão adulta. Todas as bikes têm rodinhas e, a depender da necessidade, a criança pode fazer ou não uso delas. O Gustavo, por exemplo, não precisou. Gosta de andar “rapidão”, mas só em lugares em que não corra nenhum risco, como uma praça, e mantendo o cuidado com os outros. “Quando vem alguém, eu vou mais devagar, porque pode machucar feio e eu não quero isso.”

Acompanhado de seu tio Jailson, o menino de 9 anos separou uma tarde para se divertir na Praça das Flores, um dos locais que receberam uma das estações do Mini Bicicletar. Por lá, além do despertar desta consciência do respeito e do cuidado com o outro e de noções de cidadania, Gustavo também teve a oportunidade de fazer novos amigos. A pequena Laura foi uma delas.

Falante, expansiva e sapeca que só ela, andar de bicicleta é uma das coisas que a Laurinha mais gosta de fazer em seus cinco anos de vida. Sempre atenta para não arranjar um machucado, a menina adorou a bike, e principalmente a buzina. Na praça, sentindo o ventinho no rosto, a liberdade foi a nova descoberta. Bem diferente da calçada de casa, onde normalmente anda, com espaço reduzido e os riscos inerentes.

Essa é, por sinal, uma das grandes vantagens do projeto que coloca as crianças em contato com a vida real e com a cidade. Assim como Laura, Rebeca (6 anos) andava de bicicleta em um espaço reduzido, numa área de lazer da própria casa. Seu pai, o André, explica que, além da diversão, a bike é encarada também como esporte. “Ela faz todo o percurso, dá diversas voltas e não cansa.” Além da bicicleta, Rebeca também faz aulas de dança e natação.

Se equilibrar sobre duas (ou quatro) rodas não foi o único desafio para os três. Uma tarde andando de bicicleta tem muito mais a ensinar. Sentindo a alegria de divertir-se ao ar livre com segurança, experimentaram a cidadania, o cuidado com o outro e diversos valores que os tornarão adultos melhores. Uma tarde na bike ensina a compartilhar, a cuidar da saúde e, para os adultos, faz lembrar de valores genuínos como só a infância expressa tão bem.

Onde encontrar o Mini Bicicletar?

Polo de Lazer Sargento Hermínio
Av. Sargento Hermínio Sampaio, S/N – São Gerardo

Aterrinho da Praia de Iracema
Av. Beira Mar, 916 – Praia de Iracema

Praça Luíza Távora
Av. Santos Dumont, 1589 – Aldeota

Praça das Flores
Av. Des. Moreira, S/N – Aldeota

Lago Jacarey
Av. Viena Weyne, S/N – Cidade dos Funcionários

Para mais informações:
unimedfortaleza.com.br/mini-bicicletar/

Colaboradores

Felipe Gomes

Felipe Gomes

Ver Perfil

Soube desde de cedo que iria ser jornalista. Ainda é quase. Com as histórias de uma Fortaleza de outros tempos, contadas pela bisavó, aprendeu a ouvir. Entrou na faculdade para falar de coisas. Vai sair querendo falar de pessoas. Valoriza o olho no olho, admira o cinema francês e adora música.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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