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Mora

Uma casa de encontros e cores na Praia de Iracema

Com Nayra Costa Por Luiza Carolina Figueiredo, Igor de Melo
07.ago
2017

Qual a sua casa dos sonhos? Tem uma característica particular ou fica em um lugar especial? Para a cantora Nayra Costa, a casa dos sonhos era perto do mar, na praia. Mais especificamente, na de Iracema.

“Os primeiros lugares que cantei na vida foram todos pela PI, em empreendimentos que até nem existem mais. E eu era doida pra morar aqui e ter a qualidade de vida de morar perto de onde trabalho.”

Há pouco mais de um ano, o sonho virou realidade. Um amigo, Xauí Peixoto, que morava no bairro, precisava de um novo roommate e… “quando vim aqui pela primeira vez, fiquei louca por essa casa.” Deu certinho!

Junto de Nayra foi a companheira de 10 anos, a cadela Frida. Pouco tempo depois, chegou o terceiro inquilino, o fotógrafo Júnior Marinho. O último a chegar foi mais um habitante de quatro patas, Whisky, que foi ficando por lá até que adotou os moradores da casa.

Eles chegaram já com a casa praticamente pronta. Xauí já tinha decorado tudo, afinal já morava lá. Mas, claro que cada nova vida dá uma vida nova ao lar. Pode ser em detalhes, como no número de quadros. “O Xauí tinha vários que ficavam guardados. Então eu peguei e preguei.”

Nas paredes têm de tudo: da zarabatana indígena ao cinzeiro de Amsterdã; do pedaço da caixa do refrigerante Crush a uma pintura inacabada, presenteada num réveillon (o artista teve que ir embora antes de terminar a obra); do ET desenhado em cima de duas rachaduras à tela de festa junina.

Outras contribuições foram na base do do it yourself, como o peixe de garrafa pet, feito pelo ex-vizinho francês; e as garrafas enfeitadas com fotografias e colagens feitas pela mãe.

“Mas acho que a principal alteração foi aumentar o fluxo de pessoas que vêm aqui. Gosto de ensaiar em casa; tenho um sistema de som pra isso. E, quando a gente vê, já tá a festa rolando.”

Também é o point de encontro dos amigos que passam pela Praia de Iracema. Passou pelas redondezas, é certeza fazer check-in por lá. “A gente sai, depois vem pra cá pra tomar uma cerveja, aí pega o violão e pronto. Porque aqui é massa, é mó limpeza. E, quando alguém precisar de ajuda, tamo aí pra isso. Mas… Tenta avisar antes”, gargalha.

O colorido no meio do cinza

A casa do trio faz parte da rua do que eles chamam de “uma interseção de cor na Praia de Iracema”. Há alguns meses, os moradores da via fizeram uma intervenção no espaço para tentar combater os pontos de acúmulo de lixo.

“A referência da rua era essa montanha de lixo que tinha aqui. E o Cris [Braga] fez um primeiro grafite num canto que o caminhão passou e levou todo o lixo para tentar fazer com que a galera não colocasse mais. Ainda foram feitas vigílias, porque tinham muitos restaurantes aqui do lado que vinham colocar o lixo.”

Davi Corbo também se juntou ao projeto. De um primeiro grafite veio outro, e mais outro, e mais outro… Até que a rua se encheu de cor. E as casas também.

“Os grafites são escolhas dos artistas. Os moradores nunca ‘se metem’. A gente foi presenteado com um Chico Science.” Outros murais são stencils feitos por um participantes mexicano do Festival Concreto de 2016, que ficou hospedado na rua; outro é de um artista espanhol, e o da frente é de outro integrante do festival, um chileno.

São também os grafites que fazem com que a ideia de se mudar seja inconcebível. “Já ofereceram pra gente a casa da frente, mas tem que ser essa aqui. Porque é como o Cris tava dizendo um dia: é amor e ruínas. Algumas paredes estão rachando, algumas coisas estão quebradas, mas mesmo assim há muito amor nessa casa”.

Colaboradores

Luiza Carolina Figueiredo

Luiza Carolina Figueiredo

Ver Perfil

Apesar de jornalista, sonha com ficção e, por isso, fica animada em ouvir os causos dos outros - quem sabe não tira inspiração para um futuro romance? Acredita que, se escrever de tudo um pouco, um dia vai conseguir a história que realmente quer. Leitora compulsiva, está sempre com um livro ou HQ nas mãos (ou na bolsa). É meio tímida, mas tem um bichinho tagarela dentro dela que, quando começa a falar, quase não para. E se a conversa for geek, então...

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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