Vós

menu
Mora

Uma casa onde o vento canta por movimento

Com JoOão Luís de Castro e Vicky Nóbrega Por Luiza Carolina Figueiredo, Igor de Melo
12.jun
2017

Construir seu próprio lar. Um sentimento de euforia que acompanha a maioria das pessoas após fatídico momento da saída da casa dos pais, da constituição de uma nova família. E se há a possibilidade de morar num bairro “bem localizado”, então, perto de tudo, do movimento… Pode-se pedir mais alguma coisa?

Que tal tranquilidade?

O fotógrafo JoOão Luís de Castro e a jornalista Vicky Nóbrega moravam em um apartamento na Antônio Sales, “a Paulista de cearense”. “O visu era massa, porque era a avenida todinha e tinha uma atmosfera interessante, mas o barulho permeava de uma forma que a gente não imaginava como era estressante”, lembra JoOão. “Comecei a ter altos problemas respiratórios e achava que era por causa do meu gato e outras coisas, mas o motivo foi porque era muito frenético por lá”, completa Vicky.

Toda essa agitação desencadeou um pensamento latente: tá na hora de mudar! Embora haja divergências sobre a hora exata que essa vontade começou, a unanimidade se torna presente quando o assunto é o local escolhido como novo lar: um velho conhecido, o apartamento da vozinha, onde Vicky morou até os 12 anos de idade.

Coincidência, destino ou providência – escolha a opção que lhe apraza – o apartamento estava vazio já há algum tempo e a vozinha queria alugá-lo. JoOão se prontificou fotografar o imóvel para anunciá-lo. “Cheguei, comecei a fazer as fotos e a pensar em como era grande, em como era bom. Aí deitei aqui no meio, olhei pra janela e projetei como seria quando a gente tivesse um filho. Voltei pra casa e perguntei por que a gente não vinha. Ela também perguntou porque não. E viemos”.

Premonição ou não, pouco tempo após a mudança de ares, Vicky engravidou e hoje Valentin, com quatro meses, é o mais novo morador do apartamento.

A decoração, segundo o casal foi feita no feeling. De imediato, eles aproveitaram o piso de taco do apartamento e as paredes ganharam uma textura de cimento queimado, uma repetição da antiga morada, e trocaram as janelas, uma estratégia para ter um melhor aproveitamento do vento.

Depois vieram as cores nos detalhes e, sobretudo, na porta. “Eu queria uma porta azul, porque é algo que acho muito lindo. É a entrada da casa, então tem que ser bem visto para que as pessoas se sintam bem vindas. É muito bom você entrar numa casa com beleza. E são duas coisas que a gente gosta muito: planta e cor”.

Aos poucos, o espaço foi sendo montado e remontado gradativamente e constantemente, nessa “casa meio lego”. Algumas temáticas se repetem, como conchas, plantas, duendes, fotografias, referências à cultura pop, espiritualidade, ilustrações, câmeras fotográficas, quadros, livros e… patos. Muitos patos. Coisa do JoOão, mas muito bem aceita por Vicky – os bonequinhos do bolo de casamento dos dois foram dois patinhos. “Queria algo que me representasse e acho o pato muito psicodélico. Ele tem um conforto, um fronteira entre o adulto e a criança”.

Objetos convencionais também se agrupam a outros um tanto inusitado. A rede, por exemplo, divide espaço no armador com uma corrente para saco de pancada. Ao lado, um pé de planta. Nada fora do comum, não fosse ele um molde de um pé de cimento com espaço para uma planta. “A gente gosta de coisa com história. A corrente era de um saco de pancada de uma empresa de um amigo meu e o pé foi da edição do Festival Concreto do ano passado”.

Outros ainda foram achados no lixo, como uma obra Carmélio Cruz, de 1965, e a cadeira da entrada, que ganhou uma pintura nova. “Aqui é uma mistura de casa de praia com sítio, estúdio e galeria de arte”.

Para o casal, a mudança de ambiente significou também uma mudança de vida. A agitação, o barulho de carros e buzinas foram trocados pelo cantar do vento e a calma, o que é totalmente diferente de ter uma vida parada.

“A nossa casa é movimento e ela fala isso. As coisas estão sempre mudando de lugar, até mesmo por conta do vento que existe e é muito forte, muito presente. E isso é muito significativo, porque vento é renovação e é esse movimento”.

Colaboradores

Luiza Carolina Figueiredo

Luiza Carolina Figueiredo

Ver Perfil

Apesar de jornalista, sonha com ficção e, por isso, fica animada em ouvir os causos dos outros - quem sabe não tira inspiração para um futuro romance? Acredita que, se escrever de tudo um pouco, um dia vai conseguir a história que realmente quer. Leitora compulsiva, está sempre com um livro ou HQ nas mãos (ou na bolsa). É meio tímida, mas tem um bichinho tagarela dentro dela que, quando começa a falar, quase não para. E se a conversa for geek, então...

Igor de Melo

Igor de Melo

Ver Perfil

É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

Comentários

Quer conhecer mais histórias como esta?


Cadastre seu email abaixo para receber matérias, novidades, eventos, e outras informações na sua caixa de email.

fechar