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Escondidinho

Uma embaixada em favor da soberania etílica

Com Altino Farias Por Jonathan Silva, Igor de Melo
07.maio
2019

Uma embaixada, por definição, é a representação oficial de um Estado soberano em outro território, no intuito de defender os interesses da pátria em solo estrangeiro. No bairro Joaquim Távora, em Fortaleza, há uma missão diplomática empenhada em representar o destilado mais consumido do Brasil. Na loja/bar Embaixada da Cachaça, há mais de 450 opções de cachaças nas prateleiras. São garrafas vindas de ponta a ponta do Brasil, do Pará ao Rio Grande do Sul, sem esquecer das produções cearenses.

O “embaixador” idealizador do ambiente é Altino Farias, engenheiro civil e escritor que entende tanto de cachaça quanto da memória dos botequins de Fortaleza. Ocasionalmente de chapéu Fedora, ele administra o negócio desde 2014, junto de sua esposa Gorete Almeida e da filha Ana Maria Farias, arquiteta responsável pelo projeto da casa.

Inspirado nos empórios de Paraty, no Rio de Janeiro, e no regionalismo cearense, Altino resolveu criar uma loja que expusesse um vasto catálogo em cachaças, algo que não existia antes na cidade. No entanto, foi pressionado a oferecer algo mais. “Os amigos pediram que houvesse, também, um formato de bar, que inicialmente seria mais para degustação de cachaças. Então fizemos um espaço que é misto de loja e bar.”

Estabelecida a proposta, faltava um nome que fosse concluir a identidade. “O nome ‘Embaixada’ remete a duas situações: representatividade e neutralidade. Na representatividade, somos um ‘espaço da cachaça’; na neutralidade, somos espaço democrático e neutro, sempre pronto para receber os amigos.”

Todas as garrafas são alinhadas por Altino de acordo com a ordem geográfica. “Aqui do Rio Grande do Sul e vem até Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e vai subindo o Brasil e descendo as prateleiras.” Tão variados quanto as origens são os preços. “A maior parte está situada entre 40 e 100 reais. Agora varia, geralmente, de 15 a mil reais. Isso é ao gosto e ao bolso de cada um [risos].”

A Embaixada funciona como loja de 10h00 às 17h30. A partir desse horário, mesas são postas na parte externa e o clima de bar toma conta. Há também uma movimentação cultural, com música ao vivo às quintas, sextas e sábados, além de um estande de vendas de livros, CDs e demais produções artísticas cearenses. “Estamos abertos a lançamentos de livros, apresentações de músicos com seus trabalhos autorais, etc”.


*Arquivo Embaixada da Cachaça

O lado escritor de Altino favoreceu na criação do “mascote” da casa: Chico Litro, um boneco de Judas adaptado para ser a caricatura de um típico “bebim”. “Comecei a escrever breves episódios de um certo bebim direto no Facebook. Como essas pequenas estórias começaram a ganhar corpo, precisei arranjar um nome pra ele, e aproveitei o apelido de um antigo colega de trabalho.” É comum dar de cara com Chico sentado à mesa do bar com uma dose de cachaça.

Brincadeiras como essa favorecem a molecagem boêmia que é a cara do Ceará. Laços de amizade são fortificados na Embaixada e relatados no portal Pelos Bares da Vida, publicação de autoria de Altino onde são compartilhados causos, poemas, fotos de outros bares e piadas entre os leitores.

Mais do que catalogar as produções da cachaça em todo o Brasil, a Embaixada da Cachaça registra histórias daqueles que vivenciaram toda a gama de emoções na mesa dos bares mais emblemáticos da cidade, do Bar do Chaguinha ao Buraco do Reitor. Nas palavras do embaixador etílico Altino Farias, “bar que é bar de verdade tem alma. E aqui estamos impregnados disso.”

SERVIÇO:

Embaixada da Cachaça: R. João Brígido, 1245, bairro Joaquim Távora – Fortaleza/CE
Telefone: (85) 3085-0428
Site: embaixadadacachaca.com.br
Facebook: @embaixada.cachaça
Instagram: @embaixada.cachaca

Colaboradores

Jonathan Silva

Jonathan Silva

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Garoto diferentão do Bom Jardim, entrou no Jornalismo com a intenção de escrever sobre música, uma paixão herdada da mãe. Hoje usa essa ferramenta para escrever sobre o cotidiano, a cidade, pessoas especiais, artes, fatos marcantes e a luta nossa de cada dia pela dignidade. Se não fosse jornalista, com certeza seria um astro insano do rock.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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