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Escondidinho

Uma experiência glacial no calor da terra do sol

Com Iceland Brasil Por Jonathan Silva, Igor de Melo
26.mar
2019

O calor cearense é de um clima totalmente avesso ao lar dos esquimós, como a Groenlândia ou Islândia, por exemplo. Mas por mais “braba” que seja a quentura daqui, não demonstrou ser capaz de derreter os propósitos da Iceland Brasil, uma gelateria no bairro Cambeba empenhada em ser um pólo de distribuição das delícias geladas do mundo.

A fachada com tijolos brancos e a mobília e ornamentos feitos de madeira criam um clima invernal. Dentro do ambiente, acessórios como lenha, mesas rústicas de madeira, patins de gelo e pranchas de esqui reforçam a estética.

Fortaleza se localiza a 11.394 km do Alasca, como mostra o poste de sinalização fincado no lounge, que também mostra a distância da capital cearense para outras cidades gélidas. Para o idealizador do empreendimento, Ilam Gurgel, não há fronteiras que limitem a curiosidade do público em degustar o que há de mais típico pelo mundo gelado em matéria de doces e sobremesas.

“Eu não sei se eles (os clientes) entendem bem, mas vou te dizer uma coisa: eu percebo, no sorriso, que eles gostam. Eu percebo que as pessoas acham legal, diferente e, às vezes, nem sabem explicar o porquê”, tenta esclarecer Ilam, que acredita que a confusão na cabeça dos clientes seja por conta da temática e dos produtos oferecidos na Iceland.

Para entender essa profusão de significados, é preciso voltar para 2014. Após uma carreira de anos trabalhando na televisão, o até então jornalista estava disposto a mudar de ares. Literalmente. Numa viagem a Grécia, aproveitou o conhecimento em iogurte grego obtido num curso em Atenas e resolveu trazer a receita dos helênicos para os alencarinos. Somado à sua pós-graduação em Gestão Empresarial e Marketing, ele apresentou a proposta ao seu cunhado, que investiu no novo negócio.

Sobre o produto que deu início ao empreendimento, Ilam explica: “O iogurte grego que temos aqui é feito única e exclusivamente com leite. Eu não tenho outro ingrediente. O mesmo processo que uso para fazer esse iogurte grego é o mesmo processo que os produtores rurais de Atenas fazem”. O gelataio percebeu, no entanto, que iogurte não iria carregar sozinho a sorveteria.

A ideia de misturas veio do cunhado-sócio, que já previa uma resistência do público tradicional de sorvetes. “Falei com meu cunhado e ele disse ‘cara, achei a ideia massa, mas talvez a gente enfrente esse bloqueio. Vamos fazer o seguinte: vamos colocar um gelato italiano também?’. Por que não? Colocar sorvete. As pessoas já conhecem o gelato e dizemos ‘olha só, temos outra coisa’. Aí surgiu a história da Iceland.” Isso aumentou possibilidades não só na variedade de produtos, como também na criatividade em criações diferenciadas.

“É quase como se fosse um processo de MacGyver. Eu primeiro tenho a ideia do sabor, me pergunto se vai funcionar ou não.” Do experimentalismo sorveteiro de Ilam surgiram sobremesas como Game of Cones, definido por ele como “o gelato mais crocante que se tem hoje”. “É um gelato de cookies com gotas de chocolate derretidas e espalhadas de uma maneira bem rústica dentro do sorvete – para dar a ele um aspecto mais rústico – e pedaços de caramelo inflado, que são os honeycombs, algo extremamente crocante.”

Na mesma linha da cultura pop estão o La Casa de Papel, gelato de queijo mascarpone com massa de mil folhas e um variegato de red velvet; Amélie Poulain, gelato de panna cotta (uma sobremesa italiana com nata) com uma leve camada de brigadeiro branco; e o Orange is the New Black, que mistura chocolate com laranja. Pra não dizer que não há regionalismo no cardápio, há também o Lampião e Maria Bonita. Os componentes desse sorvete são ditos só após o cliente provar e perguntar do que é feito.

O produto que mais repercutiu nas redes sociais da Iceland foi o Sorvete Vagalume. Tem esse nome pois, em contato com a luz negra, brilha no escuro. É o primeiro sorvete dessa linha sendo comercializado na América do Sul. Junto com o ineditismo, porém, veio a desconfiança de que o produto seria tóxico.

Ilam chegou a fazer um vídeo no Instagram explicando como é feito o processo. “Ele brilha no escuro assim por causa da adição de riboflavina, conhecida como vitamina B12.” Quem compra o Vagalume vai até a brinquedoteca da Iceland, onde há iluminação adequada para observar o fenômeno. Apesar de ser chamativo para o público infantil (foi lançado no Dia das Crianças de 2018), são os adultos que mais se entusiasmam. “Os adultos vem pra brinquedoteca e eles que piram o cabeção”, entrega Ilam.

Mas nem só de sorvetes inusitados vive a imagem da Iceland. Admirador da cultura esquimó, que é símbolo da gelateria, Ilam extraiu deles o conceito de não nacionalidade. “O esquimó nasce e é nômade por natureza, como um cigano. Ele está sempre em regiões geladas, mas não tem noção de barreira.” Quadros com fotografias de povos inuítes ilustram as paredes do lugar, além de bandeiras de outros países, relógios com horários de cinco cidades mundiais e livros em outros idiomas.

Outro rompimento de barreira estipulado é ter mais funcionários de outros países. “Estou em busca de estrangeiros pra dar ao lugar mais ar de mundo e cosmopolita. Quando eu tava em Londres, fui a um restaurante que se chama A Place in the World, que é Um Lugar no Mundo. E lá cada pessoa que te atendia tinha uma bandeira.” Entre as quatro pessoas que ficam na loja está o Chiquinho, vindo de Guiné Bissau.

À primeira vista, a Iceland lembra um misto de chalé de inverno com torre iglu. Ilam deixa claro que “as referências que resolvemos trazer aqui são referências quentes a respeito daquilo que é gelado, como lenha ou lareira.” Pode parecer o ambiente mais gelado da cidade, mas lá dentro o calor é o mesmo de estar numa grande poltrona em frente à lareira, junto de uma caneca com chocolate quente.

SERVIÇO – Iceland Brasil

Endereço: Av. Viena Weyne, 500 – Cambeba, Fortaleza – CE

Telefone: (85) 3013-1241

Facebook: @icelandbrasiloficial

Instagram: @icelandbrasil

Colaboradores

Jonathan Silva

Jonathan Silva

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Garoto diferentão do Bom Jardim, entrou no Jornalismo com a intenção de escrever sobre música, uma paixão herdada da mãe. Hoje usa essa ferramenta para escrever sobre o cotidiano, a cidade, pessoas especiais, artes, fatos marcantes e a luta nossa de cada dia pela dignidade. Se não fosse jornalista, com certeza seria um astro insano do rock.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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