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Histórias

Direto de Varjota, o grande vencedor do ano

Com Mailson Furtado Por Marcela Benevides
19.nov
2018

Lá em Varjota, cidade cearense que fica a cerca de 297 km de Fortaleza, o dentista, diretor de teatro e escritor Mailson Furtado conseguia conciliar as três profissões “numa boa”… Até que uma surpresa deixou a vida dele de cabeça para baixo e voltar à rotina ainda não foi possível – pelo menos não da mesma forma. É que o seu lado escritor publicou em 2017, de forma independente, o seu 4º livro de poesia intitulado À Cidade e, para “cumprir tabela”, decidiu inscrever a obra no 60º Prêmio Jabuti deste ano.

Como já tinha experiência em enviar trabalhos teatrais para editais e receber “muitos nãos”, acreditava que seria da mesma forma com À Cidade, por isso se surpreendeu quando a obra se tornou finalista na categoria Poesia. Como não esperava ir além disso, quase faltou à cerimônia de premiação, mas de última hora decidiu ir à São Paulo.

Eis que a noite de quinta-feira, 8 de novembro de 2018, surpreendeu Mailson de duas formas. Ele não só ganhou como melhor livro na categoria na qual concorria, como também ganhou o prêmio mais alto do Jabuti: o livro do ano. “Quando ganhei o prêmio de poesia joguei tudo que estava na minha mão para o alto e fui correndo receber. E quando foi anunciado que eu venci o de livro do ano também, eu ainda estava comemorando a primeira vitória.”

A obra de Mailson é um “poema de fôlego” – poema mais longo, para ser lido num fôlego só – , com 60 páginas. A inspiração para escrever o veio do livro Romance d’A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, que traz a geografia do sertão e as características do lugar de forma detalhada. “Apesar de não ser esteticamente influenciado por Suassuna, quando viajei para conhecer o lugar eu tinha a sensação de já conhecer a região. Então quando eu voltei eu quis que a minha região tivesse essa referência bibliográfica, que quando alguém lesse sentisse o mesmo que eu.”

O escritor define o processo de escrita do poema – que durou 20 dias consecutivos – como “visceral e diferente”. “O texto pedia para ser escrito e eu não conseguia parar até ele estar terminado. Não foi algo que eu quis, foi acontecendo.”

Quando terminou, decidiu enviar a obra para alguns selos que considerava interessantes, mas por não ter resposta e continuar acreditando no próprio trabalho, decidiu publicar o livro de forma independente. “Não publiquei por pressão, mas por vontade.” Mailson pondera que o mercado editorial brasileiro é um “grande obstáculo” para quem está começando. “Nem todo mundo tem a condição de fazer uma publicação independente, mas espero que esse destaque sirva para abrir as janelas e as portas para os escritores.”

O autor, maior crítico do próprio trabalho, já escreveu outras obras: são três livros de poesia e um de conto. Apesar de À Cidade ser o quarto livro do autor, ele tem a sensação de que esta é a sua primeira obra. “O livro de conto é bem ruim, os primeiros têm coisas boas que carrego comigo até hoje, mas À Cidade parece ser meu primeiro livro. Eu estou no processo de namoro com ele ainda, já havia passado, mas depois de tudo que aconteceu, voltei a namorar.”

Para quem está começando ou pretende se aventurar pelo universo literário, Mailson diz que o conselho que pode dar é apenas um: ler. De acordo com ele, o trabalho do escritor é ler. Ler tudo e ter referências. Estudar para saber o que está escrevendo, se dedicar e acreditar no próprio trabalho.

 

Fotos: Arquivo Pessoal

Colaboradores

Marcela Benevides

Marcela Benevides

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Ler e escrever são as duas coisas que mais a definem. Gosta de contar histórias sobre pessoas e lugares que inspiram a felicidade e a percepção de que a vida vai além das bolhas em que vivemos, e é na cidade que encontra a sua inspiração. Acredita que o jornalismo é um dos meios para promover a união entre culturas. Importante destacar: tem o sol em leão.

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