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Histórias

As facetas de Marcos Lessa

Com Marcos Lessa Por Luiza Carolina Figueiredo, Igor de Melo, Michele Boroh
04.jun
2016

Rapaz alto e esguio, ombros largos, sorrisão aberto no rosto, fala mansa e voz potente; esta apontada como uma das mais marcantes do Brasil. Não consegue falar a letra de uma música, canta. Este é Marcos Lessa, um dos principais nomes da música no Ceará na atualidade.

Ele não para. São shows, tributos, participação e gravação de programas. Pode até cansar, mas sempre busca por mais. Agora sua mais nova empreitada é morar no Rio de Janeiro para fortalecer a carreira nacional. Porém adverte: fica na ponte aérea, mas não deixa o Ceará.

Vós aproveitou o retorno do cantor à terra natal para bater um papo e colocamos ele para falar um pouco de suas influências e projetos para o futuro. Confere aí!

Vamos Lessa!

Há cerca de um ano e meio, Marcos Lessa está no ar todos os sábados, ao meio-dia, na Rádio Beach Park com o programa Vamos Lessa, uma coluna, com uma hora de duração, focada na música brasileira. “É um dos programas dentro da rádio que abre espaço para compositores cearenses. Então, várias músicas que hoje tocam na programação da rádio Beach Park entraram pelo Vamos Lessa”.

No programa, Marcos apresenta 12 músicas semanais. “Eu falo da música no seu contexto, a biografia das canções. O ano em que ela foi escrita, o álbum em que foi lançada. Se a música não tiver uma história que a fez acontecer – como ‘Oriente’, do Gil, que tava lá em Ibiza, na beira da praia, viu uma estrela cadente e teve a ideia do começo da música -, conto um pouco da vida do compositor, ou do cantor, ou do álbum, ou de alguma coisa que aconteceu no ano em que ela foi escrita. Tem muito pano pra manga. E faz muito mais sentido a música quando você conhece mais sobre ela”.

Agora o Lessa e a rádio estudam passar o programa também para a web, em um canal no YouTube. Além da coluna, o canal deve contar também com entrevistas a cantores cearenses e releituras de músicas famosas feitas pelo apresentador. E isso tudo deve estar entrando na nuvem por volta de julho ou agosto.




Trabalho de investigação

O convite para o programa da rádio surgiu devido a um hábito de pesquisa sobre música brasileira que faz desde os 12 anos. ''A primeira lembrança que tenho disso é de quando estava em casa e começou a tocar ‘Águas de Março’, do Tom Jobim, na voz da Elis Regina, gravada em Los Angeles, em 1974. Vi aquilo e fiquei maluco. Também é a primeira memória que tenho de ter ouvido o nome Elis Regina. Terminou, tirei o cabo de telefone - a internet era discada na época -, fui pesquisar a cantora e apareceram os nomes de Tom Jobim e João Bosco, que me levou ao Aldir Blanc, que tinha parceria com Paulo César Pinheiro, ligado à Clara Nunes. Ou seja, o fio condutor que me levou a estudar a música brasileira foi a Elis''.

A pesquisa histórica de fatos e dados musicais, guardada na cabeça e no coração, foi o que despertou a vontade de ser cantor. “Eu já tinha uma pré disposição, porque meu pai é músico, tocou em orquestra, e minha mãe é compositora. Mas querer construir uma carreira, foi por causa das pesquisas”.




A procura por mais influências

Elis Regina foi o gatilho. Marcos diz ter estudado a cantora por muito tempo até pegar muita coisa do gestual da intérprete. ''Foi quando comecei a procurar referências de cantores homens e, de preferência, que não estivessem tocando instrumentos. Nisso, o nome mais forte pra mim foi o do Frank Sinatra, outro artista que mergulhei de cara pra estudar, ler e assistir. Tô até organizando um tributo a ele para esse ano junto a uma orquestra e um narrador para contextualizar as músicas. Além dele, essa geração toda da música brasileira, como o Gonzaguinha, alguém que tenho uma ligação forte - ele morreu no ano em que nasci - e Ivan Lins, que foi quem me fez ter vontade de aprender piano. E Beatles. O que não conta, porque praticamente todo mundo é influenciado por eles''.

Lado compositor

Apesar de ser bastante conhecido pelo trabalho de interpretação musical e de tributos a artistas dos quais é fã, Marcos Lessa também canta suas próprias composições. Pelo menos 30% do repertório de suas apresentações são de músicas autorais, e um álbum totalmente “de inéditas” pode ser esperado para o próximo ano.

“O público tem gostado muito e é isso que está me surpreendendo. No primeiro disco que gravei, as músicas que o povo mais gostou foram as minhas. Aí fiz esse tributo ao Gonzaguinha, que foi dirigido e apoiado pela família, mas meu próximo disco vai ser todo autoral e, o que não for meu, serão composições feitas para mim. Acho que chegou a hora de fazer daqui pra frente. Nesse momento, em que as pessoas estão conhecendo mais o meu nome, quero cantar mais as minhas músicas. Eu tenho muita coisa que tá só esperando pra sair da gaveta. Boas canções”.




Tributo ao Gonzaguinha

Antes de dar um tempo na gravação e apresentação de tributos, Lessa dá continuidade à homenagem que fez a Gonzaguinha. ''Fazia muito tempo que eu queria gravar um disco de voz e violão com as músicas do Gonzaguinha, que é um formato que ele gostava bastante de fazer. Mas como tive alguns problemas pra conseguir direitos autorais no meu primeiro CD, com os herdeiros de outros cantores, fiquei com uma trava. Tive essa ideia e contei para o Paulo Vanderley, o maior pesquisador de Gonzaga e Gonzaguinha no Brasil. Ele me apresentou ao Daniel Gonzaga, filho do Gonzaguinha, a gente falou do projeto e perguntou quanto ele iria cobrar para liberar as músicas. Aí ele falou ‘não, cara, isso eu vou dirigir e bancar’. O disco ainda foi lançado com o selo Moleque, que é da família e foi o próprio Gonzaguinha quem criou nos anos 1980''.

O CD ainda tem a participação de Daniel e suas irmãs Amora Pera e Fernanda Gonzaga. Já o show é um espetáculo à parte, com locuções e aparições de Gonzaguinha em projeções entre algumas transições de músicas. Há até a proposta para um volume dois, mas que está sendo deixado em espera por enquanto.




Show com Chambinho do Acordeon

Durante uma apresentação no Brazilian Day, em Nova York, Marcos Lessa conheceu Chambinho. Como o primeiro estava fazendo um tributo ao Gonzaguinha e o segundo é conhecido por fazer um trabalho em cima das músicas do Gonzaga - a quem interpretou no filme ''Gonzaga - de Pai pra Filho'' -, surgiu o covite para fazer uma apresentação conjunta.

''Então a gente fez o show, em dezembro, no Theatro José de Alencar. Foi numa terça-feira. Tava achando que não ia dar ninguém, mas encheu o teatro. Aí a diretora do Cine São Luiz ficou sabendo do sucesso e nos convidou para fazer de novo, agora no dia 5 de junho. Dessa vez, a gente vai passar o filme antes para o povo entrar ainda mais no clima da apresentação''.

Serviço

Tributo a Gonzagão e Gonzaguinha com Marcos Lessa e Chambinho do Acordeon
Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500 – Centro)
Dia: 05/06 (domingo)
16h – Exibição do filme “Gonzaga – de Pai pra Filho”
18h – Show “Revivendo Gonzaguinha e Gonzagão”, com Marcos Lessa e Chambinho do Acordeon
Entrada única: Inteira R$20,00 / Meia R$10,00

Colaboradores

Luiza Carolina Figueiredo

Luiza Carolina Figueiredo

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Apesar de jornalista, sonha com ficção e, por isso, fica animada em ouvir os causos dos outros - quem sabe não tira inspiração para um futuro romance? Acredita que, se escrever de tudo um pouco, um dia vai conseguir a história que realmente quer. Leitora compulsiva, está sempre com um livro ou HQ nas mãos (ou na bolsa). É meio tímida, mas tem um bichinho tagarela dentro dela que, quando começa a falar, quase não para. E se a conversa for geek, então...

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

Michele Boroh

Michele Boroh

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Nasceu no Dia do Jornalista. Aos 9 criou o Jornal dos Amigos do Prédio, em folha de caderno e à base de canetinha. Agora, aos 32 e após 8 em TV, é coordenadora e editora de VÓS, com a mesma paixão da infância. É também cronista no Tribuna do Ceará e no Medium, viciada em livro, cavaquinista de churrasco e mãe de um Bull Terrier. Ariana, de sol e lua.

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