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Escondidinho

No cardápio do Bar do Vinil, 10 mil bolachões

Com Pinheiro Bahia Por Lya Cardoso, Igor de Melo
05.abr
2018

Logo na chegada, Pinheiro Bahia pergunta que música desejo ouvir. Gal Costa, respondo. Ele pega o LP Gal Fatal e comenta: é um espetáculo! Aos embalos de Coração Vagabundo, nossa conversa começa no amplo salão

Quando seu Pinheiro coloca a blusa florida e o chapéu fedora, todos sabem que a noite vai começar. O acervo de vinis de todas as épocas, colecionados por ele e sua esposa, fazem história na vida de muita gente há 24 anos.

O Bar do Vinil, que atualmente fica no Montese, já teve outros endereços, por isso ele o classifica como itinerante. A primeira grande mudança foi quando saíram de sua primeira localização, no mirante do Morro Santa Terezinha, para o outro lado da cidade, na Barra do Ceará. As lembranças vem à tona quando fala dessa primeira mudança. “O caminhão cheio de discos descendo o longo percurso do mirante até as proximidades da ponte da Barra do Ceará…” Ele também já teve sede no Henrique Jorge, Itapery, Parangaba e Jóquei Clube.

A estrutura permanece padrão desde seu surgimento, em 1994: uma espécie de palco com duas radiolas e, ao fundo, toda a coleção de LP’s. Quando você pergunta por um artista, ele já vai no local certo, despertando a dúvida sobre como é feita essa organização. Com a mesma arrumação há 24 anos, “não tinha como não decorar”, fala em tom de brincadeira. Nas paredes, diversos pôsteres que vão de Sandy&Junior a Madonna.

Ele conta que tudo começou quando ele conheceu sua esposa, Dona Pequena. “Foi um encontro de almas”. Os dois eram apaixonados por vinis, então juntaram a vida e os acervos e decidiram compartilhar tudo com outras pessoas que compartilham da mesma paixão pelos bolachões. É com amor que ele fala dos seus mais de 10 mil discos. “O manuseio do vinil tem toda uma técnica, quando se machuca não tem mais o que fazer, então é um trabalho muito complicado, tem que ter muita paciência e gostar”.

Mas houve um momento em que ele quase desistiu de tudo: com o boom do CD. “Senti dificuldades de continuar com o bar, muitas pessoas começaram a jogar vinis no lixo, eu passava e via calçadas cheias. As pessoas não acreditavam que o vinil ia durar tanto”, mas também lembra que aconteceu o momento da virada. “Os saudosistas voltaram a procurar o vinil, não viam no CD o que o vinil poderia oferecer”. Com esse impulso, o bar resistiu e ficou ainda mais seletivo, como um dos únicos locais em que as pessoas podiam ir e ouvir o chiadinho de um LP. “O vinil estava se recriando”.

O Bar do Vinil não tem placa e, por conta do calor, não consegue abrir mais dias na semana, somente às sextas e sábados. O que seu Pinheiro mais preza é o conforto dos clientes. “Temos uma legião de frequentadores. Quero que eles se sintam em sua segunda casa”. E é nesse ritmo que as noites seguem, muitas vezes, até as 7 da manhã.

Serviço:

Bar do Vinil
Endereço: Rua Vasco da Gama, 920 – Montese
Horário de funcionamento: sexta e sábado, a partir de 22h
Informações: (85) 984.037.262
Facebook /bardovinil1
I
nstagram: @bardovinil

Colaboradores

Lya Cardoso

Lya Cardoso

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Organizar um evento é com ela, seja um aniversário ou um karaokê em sua casa. Acredita que a comunicação é a chave pra resolver vários problemas. Todo lugar tem uma história e merece ser contada. Libriana nata, está sempre em busca do equilíbrio.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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