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[Ser do Bem] - Cinco lugares de silêncio no Centro de Fortaleza

Por Flávia Oliveira, Igor de Melo, Michele Boroh

Acredita em Vós

04.abr
2016

Acordar ao som do despertador, pegar o trânsito cada vez mais engarrafado e chegar ao Centro da Cidade. É buzina aqui, caixa de som acolá, e assim o bairro ganha a fama de região mais movimentada e barulhenta da cidade. Haveria algum refúgio de silêncio nesse caos?
Conversamos com cinco pessoas que, mesmo em meio a tanto burburinho, elegeram espaços públicos para sentar em um banco de praça, acessar o wifi, fazer o lanche da tarde ou até tocar um violão, tendo pessoas e pássaros como companhia.

Praça dos Mártires (Passeio Público)
Pedro Vinícius, 18, estudante

A parada de ônibus estava a poucos metros dele, mas Pedro desviou o caminho para sentar nos bancos do Passeio Público e olhar o céu por entre a copa das árvores. Os gritinhos entusiasmados de uma excursão de crianças quebram momentaneamente o silêncio: é hora de abraçar o famoso baobá plantado por Senador Pompeu em 1910. “Sempre quando venho ao Centro, passo aqui pra descansar, pra pensar, sei lá. Só sei que me sinto bem depois”, diz.

Serviço

Endereço: Rua Dr. João Moreira, s/n, ao lado da Santa Casa de Misericórdia. Horário de funcionamento: de domingo a domingo, das 8 às 18h.

Jardins da Emcetur
Jairo Costa, 57, comerciante

A Emcetur, centro de turismo que antigamente era a cadeia pública da cidade, abre os portões das 8 às 17 para receber arrastões de turistas. “O movimento mesmo é pela manhã, depois tudo fica tranquilo, tranquilo. Bom pra sentar e relaxar”, diz Jairo, que tem um box no local para venda de redes. A hora depois do almoço é o momento ideal para pegar o violão e se sentar no banquinho, dedilhando poesias de Fagner a Roberto Carlos. Atraídos pelo wi-fi grátis e a vigilância da PM, as poucos, os frequentadores se sentam perto dele, ainda que distraídos, para ouvi-lo sozinho a cantar amores.

Serviço
Endereço: Rua Senador Pompeu, 350. Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 8 às 17h.

Praça General Tibúrcio (Praça dos Leões)
Carlos Alberto, 43, atendente

“É uma praça diferente das outras. Parece que ela tem o horário dela”, fala Carlos, olhando para as fachadas antigas do prédio que a cercam. Naquela hora da tarde, a praça construída em homenagem a um herói da Guerra do Paraguai está tranquila, apesar de localizada em pleno Centro. O som ao redor vem do grupo de aposentados jogando dominó e dos vendedores perguntando a quem passa mais devagar se a procura é por livros didáticos. “Estou indo a uma entrevista de emprego, depois de ter pago umas contas. Estou me refrescando do calor antes”, diz Carlos, tranquilo mesmo diante de uma batalha que está por vir.

Serviço
Endereço: Rua São Paulo esquina com Sena Madureira. Melhor horário para ir: de segunda a sexta, de 8 às 17. Sábado até o meio-dia.

Praça dos Voluntários (Praça da Polícia)
Bruna Santos, 19, operadora de telemarketing

O busto do presidente Getúlio Vargas instalado no meio da praça serve de descanso para os muitos pombos. Bruna joga algumas migalhas do biscoito recheado para os que estão aos pés dela. Os 20 minutos de pausa servem para ficar só -“eu prefiro assim, sou antissocial” – e para respirar fora do ar condicionado. Olhando ao redor, percebe-se várias pessoas que nem ela, em silêncio, e algumas poucas em grupo, com fardas de empresas, conversando sobre novela ou futebol. “Gosto de ver o movimento. E do silêncio, apesar do barulho dos carros”, diz.

Serviço
Endereço: Rua Perboyre e Silva, entre as ruas do Rosário e General Bezerril. Melhor horário para ir: de segunda a sexta, de 8 às 17. Sábado até o meio-dia.

Jardins do Theatro José de Alencar
Larissa Chaves, 19, estudante

Os hippies fazendo tatuagem. O vendedor anunciando iogurtes direto da fábrica, uma pechincha. O cheiro de gostosinho, o pão com carne moída e verdura, invade o ar. Larissa também come pão – um carioquinha enfiado aos nacos no pote de cream cheese – no banco do jardim projetado por Burle Marx. “Moro no Centro e venho aqui todo dia porque é tranquilo e gosto das árvores. Geralmente sou a única nesse horário, mas não me sinto insegura não, porque tem o zelador”, diz, apontando o homem que varre as folhas do chão e ouve música pelos fones de ouvido.

Serviço
Endereço: Rua Liberato Barroso, 525 – Praça José de Alencar. Melhor horário para ir: de segunda a sexta, de 8 às 17. Sábado até o meio-dia. Horário de funcionamento: de domingo a domingo (incluindo feriados), das 8 às 17h. (Flávia Oliveira)

Colaboradores

Flávia Oliveira

Flávia Oliveira

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É repórter. Anda com bloquinho de papel, caneta e máquina fotográfica na bolsa, para o caso de ver na rua alguma história boa de ser contada. Escreve em mesas de restaurantes vazios ou em qualquer outro lugar. Talvez bem aí, ao seu lado.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

Michele Boroh

Michele Boroh

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Nasceu no Dia do Jornalista. Aos 9 criou o Jornal dos Amigos do Prédio, em folha de caderno e à base de canetinha. Agora, aos 32 e após 8 em TV, é coordenadora e editora de VÓS, com a mesma paixão da infância. É também cronista no Tribuna do Ceará e no Medium, viciada em livro, cavaquinista de churrasco e mãe de um Bull Terrier. Ariana, de sol e lua.

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