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Eles são o som – desde os anos 1980

Por Lya Cardoso, Igor de Melo
04.jun
2018

Para além do forró, foi no barzinho, violão e nos palcos de teatros de Fortaleza dos anos 1980 e 1990 que grandes nomes da música cearense nasceram e deram seus primeiros passos. O rock, o blues e a MPB acompanharam de perto a vida desses personagens. Alguns nomes marcaram tanto a vida noturna e a música autoral do Ceará que permanecem. A seguir, quatro desses representantes de um som e uma época da nossa cidade:

Mona Gadelha

A personalidade de Mona Gadelha é um diferencial. Cantora, compositora e jornalista, sua voz e nome fortes a fazem ser um dos mais importantes nomes do rock e blues local. Ela começou na música ainda nova e sua adolescência, em 1975, foi marcada pelo início de grandes movimentos na cidade, como os de ocupação de teatros tradicionais como José de Alencar, São José e Ibeu.

O Centro foi o principal palco e teve grande importância no movimento musical da cidade. “Tinha muito essa relação territorial, essa cartografia do rock na cidade nos anos 1980.” Diversas bandas surgiram nessa época e uma delas foi a Perfume Azul, da qual Mona foi integrante. “Transmissores românticos que faziam uma resistência mesmo sem saber direito”. A banda surgiu em meados de 1970 e marcou a cena do rock em Fortaleza. Diversos eventos foram chegando e um dos mais importantes era o Massa Livre, uma ocupação do Teatro José de Alencar, em 79, que durou quatro dias. Mona foi a mais jovem artista a participar.

Mona ultrapassou gerações e segue atuante na música até hoje. Sobre a atual cena cultural da cidade, ela acredita em resistência. “A cena resiste, cresce e se fortalece.”

Incorrigível, Ilha e Blues Diário são alguns de seus sucessos.

Para ouvir Mona:

Spotify
Deezer

Renato Assunção

Descoberto por sua vizinha de apartamento, Renato Assunção começou a tocar na noite ainda criança, aos 12 anos. Seus ensaios eram, literalmente, música para os ouvidos de quem tinha a oportunidade de ouvi-lo. Mas Renatinho quase saiu desse mundo da música em 1997, quando começou a fazer curso de piloto desportivo. A música, porém, corria mais forte em suas veias. “Aos 16 anos comecei a abrir grandes shows em Fortaleza e cidades próximas.”

Por isso ele se autointitula como “cantor especializado em abrir shows”. E garante que tem que ter um jogo de cintura pra fazer o que ele faz. “Tem que saber animar o público, saber que as pessoas não estão ali por você, mas sim pelo outro artista. Alguns cantores têm a vaidade de não pensar isso e acaba atrapalhando o decorrer do show.”

Um fato que marca sua carreira são os bilhetinhos com pedidos de música. “É cada aberração na escrita e no comportamento de alguns”. Hoje Renato Assunção segue trabalhando com música e, apesar de todas as dificuldades, feliz onde está.

Para ouvir Renato:

Renato Assunção está todas as sextas, às 20h no restaurante Jean Veleiro Sul, que fica localizado no Parque Manibura.

Marcus Caffé

Intérprete, cantor e produtor de shows. Seu ingresso na música se deu a partir dos festivais e de nomes que ele foi conhecendo ao longo dos anos. Seus primeiros shows pelos bares de Fortaleza tiveram início no Álibi Bar.

Para Caffé, a época áurea da boemia cearense coincide com a geração de grandes referências na música nacional. “Naquela época cantávamos música popular de conteúdo, os compositores da época eram Caetano Veloso, Gilbert Gil, Djavan, João Bosco, Milton Nascimento, Joyce, Boca Livre, Ney Matogrosso, Maria Betânia, Elis Regina e Fagner”.

Ele ainda vive da música, mas não mais na noite. “O que eu vejo hoje é uma perda de norte, a quantidade de músicos que estão hoje na cidade somente estão tendo uma formação técnica. Mas pelo que vejo são pessoas que saíram de suas casas, montaram um grupo e estão replicando o que toca na grande mídia.” Marcus Caffé está entre os artistas que tem seu nome no mapa cultural da cidade”.

Para ouvir Caffé:

SoundCloud
MySpace

Paulo Façanha

Cantor, compositor e instrumentista. Paulo Façanha é um dos nomes mais lembrados da música cearense. Com mais de 30 anos de carreira, Paulo é um artista respeitado pelo público e por seus colegas de trabalho. Sua carreira começou em 1988 e, como grande nome da música autoral, sempre foi destaque em festivais, como os de Camocim.

Atualmente mora em Brasília, mas as raízes cearenses correm em suas veias através de suas músicas. Ao longo de sua trajetória, Paulo cantou ao lado de diversos músicos consagrados como Raimundo Fagner e Jorge Vercillo e marcou gerações de muitas casas de shows e teatros da cidade.

Sobre a cena atual, Paulo comenta que os bares da cidade sobrevivem, mas que a qualidade musical já não é mais a mesma. “A cena cultural atual infelizmente perdeu bastante qualidade”.

Chega de tanto, tantos versos e O que você fez são alguns de seus sucessos.

Para ouvir Paulo:

Spotify

 

Colaboradores

Lya Cardoso

Lya Cardoso

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Organizar um evento é com ela, seja um aniversário ou um karaokê em sua casa. Acredita que a comunicação é a chave pra resolver vários problemas. Todo lugar tem uma história e merece ser contada. Libriana nata, está sempre em busca do equilíbrio.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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