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Histórias

Um exemplo de cidadania: não esperou ninguém fazer, foi lá e fez

Com André Nestor e Adriana Rodrigues Por Felipe Gomes, Igor de Melo
25.jan
2018

Essa é a história de incômodo. Mas não qualquer incômodo, como uma coceira ou aquela azia depois que você passa do ponto no fim de semana. Essa é uma história daqueles tipos de incômodo que geram ações, que engrandecem, que fazem a diferença e que, se todos tivessem vez por outra, faria do mundo um lugar bem melhor para se viver em sociedade.

Os incomodados em questão são seu André Nestor e sua esposa Adriana, um casal de micro empresários donos de um frigorífico/mercadinho na periferia de Fortaleza, no bairro Parque Elizabeth II. Pois bem, algum tempo depois de realizarem o sonho do negócio próprio, o casal de empresários se viu diante de uma situação complicada: uma obra inacabada deixou um buraco no meio da rotatória que fica em frente ao estabelecimento, e que, não demorou muito, começou a ser usado como ponto de lixo pela comunidade.

Para além da questão de higiene e do que poderia acontecer com o seu negócio e com sua mercadoria, havia um incômodo no cidadão André Nestor que ia muito além do empresário. “A gente via que aquilo não era certo e que as pessoas não deixavam o lixo ali por mal, mas porque elas não tinham a informação e nem sabiam que aquilo podia causar doenças”. O homem simples, agregador e de fala tranquila tinha muito a ensinar.

“Um dia, eu percebi que a gente precisava fazer alguma coisa e falei com a Adriana. A gente viu como é que podia fazer e decidimos fazer tipo uma pracinha, plantar um jardim ali no espaço”. A atitude, como não podia deixar de ser, gerou desconfiança. “No começo ninguém entendia muito bem o motivo da gente tá fazendo aquilo, pensavam que nós estávamos pegando aquilo pra gente, mas com o tempo todo mundo foi entendendo”, explica Adriana. O que era lixo, foi aos poucos virando cidadania e a desconfiança foi dando lugar para a colaboração.

Hoje, o espaço totalmente transformado se tornou um local de lazer para a comunidade e foi adotado oficialmente pelo seu André por meio do Programa de Adoção de Praças e Áreas Verdes da Prefeitura de Fortaleza. Além disso, existe uma preocupação em colocar ração e água para os animais de rua que vivem ali.

Seu André, Dona Adriana e a comunidade pegaram gosto pela coisa. “Hoje as pessoas daqui entendem que é dever de todo mundo cuidar do meio ambiente e dos animais; sempre existe alguém que não está aberto a isso, mas é uma minoria”. O gesto gerou frutos e todo o entorno da rua Primeiro de Abril – que de mentira não tem nada – foi adotado e hoje é apelidado de Alameda dos Anjos.

Os dois sabem que esse cuidado é dever das autoridades, mas entendem que cada um, por menor que seja, pode fazer sua parte. Afinal, um incômodo pode sempre virar iniciativa.

Colaboradores

Felipe Gomes

Felipe Gomes

Ver Perfil

Soube desde de cedo que iria ser jornalista. Com as histórias de uma Fortaleza de outros tempos, contadas pela bisavó, aprendeu a ouvir. Entrou na faculdade para falar de coisas. Saiu querendo falar de pessoas. Valoriza o olho no olho, admira o cinema francês e adora música.

Igor de Melo

Igor de Melo

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É fotógrafo profissional desde 2008. Já passou pela fotografia de esportes, cobertura social, fotojornalismo, publicidade, documental e autoral. Continua em todas. É apaixonado por esportes de ação, tatuagens, retratos e pessoas. Crê que vai conseguir contar as histórias que quer, surfar na Indonésia e viajar com a esposa.

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